Nível de estoque sustenta preços
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sexta-feira, 09 de maio de 1997
Guto Rocha 
Os baixos estoques de café dos países consumidores e a menor oferta do produto por parte dos países produtores, principalmente Colômbia e Brasil, devem manter a tendência de alta que vem sendo registrada neste mercado desde o início do ano. Pelo menos a médio prazo, diz o exportador de café, João Antonio Lian, da Sumatra - Comércio, Indústria, Exportadora e Importadora Ltda, de Espírito Santo do Pinhal (SP). Por isso, aconselha o empresário, os cafeicultores devem aproveitar o momento para se capitalizar e investir no aumento da produtividade e qualidade de sua produção.
O exportador afirma que os preços estão bastante firmes por causa da estratégia adotada pelas indústrias do países consumidores. As indústrias estão trabalhando com a política do just in time, ou seja, compram apenas para cobrir suas necessidades, diz. Com isso, a dependência pelo produto é constante.
Além desta estratégia, diz Lian, as indústrias estão utilizando mais café da variedade robusta para fazer misturas com café arábica produzido na América Central. As indústrias estão utilizando mais robusta por causa do preço do arábica, que chega a ser 150 centavos de dólar/libra peso mais alto, diz. Mas ele observa que os países da América Central estão com suas lavouras quase exauridas, e o Brasil passa a ser o grande fornecedor de arábica. Por isso o produtor precisa ficar atento e aproveitar o momento para se capitalizar, afirma.
Lian observa que os produtores ainda trabalham sob efeito da cultura inflacionária que os obrigava a se protegerem armazenando a produção sempre na esperança de conseguir preços melhores. Hoje já não se justifica ficar segurando produto, porque vivemos numa economia estável, em que o poder de troca é maior e não se corrói como antes, diz. O exportador afirma o cafeicultor pode se dar o luxo de buscar o melhor preço, mas nunca em detrimento do investimento na sua produção.
Para Lian, a busca de mais competitividade também deve ser uma das metas da cafeicultura brasileira. Ele observa que o Brasil já é bastante competitivo, mas pode aumentar ainda mais esta competitividade. A cafeicultura brasileira é a que tem menor custo de produção do mundo. E um dos maiores problemas da economia brasileira, o déficit da balança comercial, é provocado pela falta de competitividade, comenta. O custo de produção de uma saca de 60 kg no Brasil, maior produtor da bebida, é de cerca de US$ 80,00. Na Colômbia, que está em segundo lugar na produção, o custo é de US$ 150,00/saca.
Adensado e qualidade Lian, que também cultiva 20 ha de café no sistema adensado, diz que o Brasil precisa investir mais nesta tecnologia de cultivo. O adensado possibilita baixar ainda mais nosso custo de produção, dando mais competitividade para o País, comenta. Ele afirma que com o adensamento, o custo de produção de uma saca cai para US$ 40,00.
Outra tecnologia que, segundo Lian, está revolucionando a produção de café, é o cereja descascado. Através desta tecnologia, afirma Lian, alguns produtores do Paraná já estão produzindo café com qualidade igual ou superior ao produto colhido no Cerrado ou no Sul de Minas Gerais. Já exportamos café produzido no Paraná para mercados antes restritos aos cafés colhidos no Cerrado e no Sul de Minas, afirma.
Quanto ao inverno que se aproxima, Lian diz que quem deve estar mais preocupado com a ocorrência de geadas no Brasil são os países consumidores, por causa da política do Just in time. O fator climático é preocupante, mas o produtor deve sempre investir na sua produção, porque o café é uma atividade que é boa hoje, ontem e sempre, mas desde que se inove e se persevere naquilo que faz, diz.


