O nível de emprego na indústria em junho ficou estável em relação a maio: a variação foi 0, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo os técnicos do IBGE os resultados não foram exatamente ruins, de um mês para o outro, uma vez que em maio tinha sido interrompida uma sequência de 10 meses de perdas de postos de trabalho nas fábricas. Em junho, o número de empregos não aumentou - mas também não caiu, perfazendo, portanto, dois meses de estabilidade.
Todos os demais indicadores, porém, foram negativos. Em confronto com junho de 97, o emprego industrial teve queda de 9,6%; no acumulado do primeiro semestre, ante o mesmo período do ano precedente, o recuo situou-se em 9% e no período de 12 meses findo em junho caiu 7,4%. Já em relação ao salário contratual médio na indústria, houve uma inversão, com resultado negativo apenas de maio para junho (-0,2%). Em relação a junho de 97, o salário médio real subiu 2,4%, no acumulado de janeiro a junho aumentou 2,75%, e se expandiu em 2,7% em 12 meses.
A variação do salário médio, positiva de junho, ante maio, não é, entretanto, de molde a gerar otimismo. Acompanhando a curva declinante do emprego, os salários industriais apresentam queda constante desde novembro de 1997 (quando entraram em vigor as medidas do governo para enfrentar a crise na Ásia). As perdas no salário médio do trabalhador acumularam no período uma queda de 7%. A massa de salários paga pelas fábricas (total da folha de pagamento, portanto, e não o salário médio do trabalhador) mostrou em junho redução de 7,4%, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Também caiu 6,4% no acumulado do primeiro semestre e teve retração de 4,9% em 12 meses.
No primeiro semestre a retração no emprego industrial afetou mais o parque fabril paulista, que registrou queda de 10,2% no período. Em segundo lugar, ficou a indústria fluminense, com -10,1%. Para São Paulo, aliás, os resultados foram mais desfavoráveis do que nas demais demais regiões também no confronto com junho de 97 (-10,6%) e no acumulado de 12 meses (-8,9%).
Para os técnicos do IBGE, a estabilidade no emprego deveu-se à ampliação do contingente de trabalhadores em oito dos 22 segmentos pesquisados. Elevou-se em 2,8%, por exemplo, o número de trabalhadores na indústria alimentar.

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