Curitiba Apesar de o Paraná ter apresentado um crescimento de 4,23% no nível de emprego em 2005, com a criação de 72.374 postos de trabalho, o Estado teve desacelaração na geração de vagas se este resultado for comparado a 2004.
Pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos apontou que em 2004 foram criados 122.648 empregos. Comparando este volume com o saldo de vagas criadas em 2005, o recuo foi de 41%. O Paraná perdeu até para Santa Catarina na geração de empregos. Enquanto o crescimento no Estado em 2005 foi de 4,23%, Santa Catarina fechou o ano com aumento de 5,25%.
O economista do Dieese, Sandro Silva, explicou que entre as principais causas da desaceleração na geração de empregos no Estado estão o aumento dos juros básicos da Economia - que afetou a economia e trouxe impacto no emprego -, a valorização do real frente ao dólar que reduziu as exportações e a queda nos preços de algumas commodities internacionais. Além disso, o Paraná enfrentou problemas climáticos que trouxeram quebra na safra além de perdas ocasionadas pela febre aftosa.
O Paraná apresentou crescimento de emprego menor do que a média nacional que atingiu 5,09% em 2005. No País foram criadas 1,253 milhão de postos de trabalho, número 17,68% inferior se comparado com 2004. No ano passado, o Estado ficou na 19 colocação entre todas as unidades da federação. Em 2004, o crescimento de emprego no Paraná foi de 7,74% e o Estado tinha ficado na 8 colocação.
''O crescimento de emprego que o Estado teve em 2005 não foi suficiente para resolver o desemprego. É preciso ter mais crescimento e por mais tempo'', disse Silva. Segundo ele, entre 1998 e 2003 entraram 120 mil pessoas por ano no mercado formal de trabalho.
No ano, os setores que mais geraram empregos foram o comércio varejista (22.140 vagas), outros serviços como segurança e vigilância (8.597), indústria de alimentos e bebidas (8.393), transportes e comunicações (8.133), hotéis e restaurantes (7.415), comércio atacadista (3.043), serviços médicos e odontológicos (2.150), construção civil (2.091), instituições financeiras (2.046) e material elétrico e de comunicação (1.885). Os setores que responderam pelo maior número de demissões foram agricultura com a queda do valor das commodities e a quebra de safra (-962 vagas) e madeira e mobiliário (-4.209 vagas). Segundo Silva, o setor madeireiro foi muito prejudicado pela queda do dólar o que levou à redução das exportações.
Comparando os anos de 2004 e 2005, os dois setores que mais cresceram na geração de empregos foram construção civil (47,57%) e serviços de utilidade pública (25,69%). As maiores quedas ficaram com a indústria de transformação (-71,44% devido a agroindústria) e comércio (-28,15%).
Grandes centros - No ano de 2005, a Região Metropolitana de Curitiba teve um crescimento maior do nível de emprego do que o Interior. Enquanto a RMC registrou uma alta de 4,89% (o que equivale a 32.433 vagas), o Interior teve crescimento de 3,81% com a criação de 39.941 vagas. Silva explicou que, com a retomada do crescimento da economia a partir de 2004, houve criação de mais empregos nos grandes centros urbanos. No ano passado, comércio e serviços responderam por 71% do total da geração de empregos na RMC.
Em dezembro de 2005, o emprego formal no Paraná registrou queda de 1,19% o que equivale a perda de 21.831 postos. O Interior teve redução de 1,58% no nível de emprego e a RMC de 0,62%. No último mês do ano, os setores que mais demitiram foram agricultura (-5.250 vagas), têxtil e vestuário (-2.832), hotéis e restaurantes (-2.389), indústria de alimentos e bebidas (-2.379), ensino (-1.912), madeira e mobiliário (-1.570) e construção civil (-1.509). Entre os setores que mais geraram admissões estão instituições financeiras (150 vagas) e serviços de utilidade pública (64).
Com o resultado de dezembro, o número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de aproximadamente 1,783 milhão. Mesmo com a queda de 1,19% no nível de emprego em dezembro de 2005, esta foi a menor queda em um mês de dezembro desde 1994.

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