Curitiba - O Paraná pode fechar o ano de 2006 com a geração de 82 mil empregos, ou seja, um saldo de quase 10 mil vagas a mais do que em 2005. A estimativa é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Caso esta previsão seja confirmada, este será o segundo melhor desempenho do Estado desde 1992 só perdendo para o ano de 2004 quando foram criados 122.648 vagas. De janeiro a novembro, o nível de emprego do Paraná teve um crescimento de 6,11%.
Entre os principais motivos que podem levar a este resultado positivo estão a queda dos juros - que vem ocorrendo gradativamente desde setembro de 2005 -, a queda da inflação com previsão de fechar o ano em 3% (IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo), as políticas sociais dos governos federal e estadual, o aumento real do salário mínimo e o fato de 96% das categorias de trabalhadores terem conseguido a recomposição da inflação.
O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que de julho a novembro deste ano foram criados 38.324 empregos contra 19.627 no mesmo período do ano passado o que equivale a um aumento de 95%.
Em novembro, o Paraná teve um crescimento no nível de emprego de 0,16% o que corresponde a criação de 2.980 postos de trabalho. Entre os setores que mais empregaram no mês passado estão comércio varejista (5.242 vagas), outros serviços (1.914 vagas), hotéis e restaurantes (1.133), transportes e comunicações (423 vagas) e metalúrgica (383 vagas). As maiores quedas foram na indústria de alimentos e bebidas (-4.632 vagas) e na agricultura (-2.284 vagas).
Ele destacou que em novembro de 2005 ocorreu o fechamento de 525 postos de trabalho. O bom desempenho de novembro deste ano está ligado ao fato de os setores de comércio varejista, hotéis e restaurantes e outros serviços terem criado juntos 8.289 vagas contra 5.868 no mesmo período do ano passado. O fato de a agricultura ter demitido menos em novembro, também levou a um resultado melhor no mês passado. Em novembro de 2005, a agricultura tinha demitido 4.332 trabalhadores e, em novembro de 2006 foram 2.284 demissões. Em dezembro, a previsão é de fechamento de 27 mil vagas com a demissão dos temporários contratados pelo comércio para o Natal. Na Região Metropolitana de Curitiba, o crescimento em novembro foi de 0,85% com 6.306 vagas, o melhor desempenho desde 1992.
De janeiro a novembro, o Paraná gerou 108.231 empregos e teve um crescimento de 6,11%. Na Região Metropolitana de Curitiba o crescimento foi de 6,53% enquanto no Interior do Estado o aumento foi de 5,84%. Silva disse que esta foi a primeira vez no ano que a RMC teve crescimento maior em relação ao Interior. Na RMC, no ano, os setores de serviços e comércio foram responsáveis pela criação de 71% do total de 45.759 vagas.
Entre os setores que mais geraram empregos no ano estão o comércio varejista (19.128 vagas), a indústria de alimentos e bebidas (14.563 vagas), outros serviços (12.166 vagas), hotéis e restaurantes (12.099 vagas), construção civil (7.789 vagas), agricultura (6.796 vagas), transportes e comunicações (5.483 vagas), têxtil e vestuário (5.299 vagas), ensino (4.118 vagas) e metalúrgica (2.888 vagas).
O setor que mais demitiu no ano foi o de madeira e mobiliário com o corte de 1.614 vagas devido a queda do dólar que afetou as exportações e a defasagem tecnológica do setor. No ano, o Paraná é o quarto Estado que mais gerou empregos e só perde para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mas, o Estado deve fechar 2006 com desempenho inferior ao resultado nacional.

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