Nível de emprego na indústria paulista volta a recuar
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O setor industrial de São Paulo manteve em junho a trajetória de queda no nível de emprego. Foram eliminados 2.223 postos de trabalho, com queda de 0,14% em relação a maio, segundo a pesquisa de nível do emprego industrial da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Diante do resultado, a entidade confirmou que vai rever pela segunda vez, e de novo para baixo, a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) industrial para este ano.
Desde maio do ano passado, a espiral negativa no nível de emprego foi interrompida uma única vez, em abril (alta modesta de 0,08%, ou mais 1.301 vagas). Neste ano, segundo a Fiesp, já são 16,91 mil postos de trabalho fechados. Em um ano, as perdas chegam a 56,15 mil postos.
De acordo com Clarice Messer, diretora do Departamento de Pesquisas da entidade, a revisão do PIB foi motivada pela piora nos níveis de emprego, acompanhada do aumento da ociosidade nas indústrias. Assim, além de enxugarem o quadro de empregados, as empresas reduziram o número de horas trabalhadas por aqueles que foram mantidos -de janeiro a maio, a queda foi de 1,9%.
Em janeiro, a previsão da Fiesp era que o PIB da indústria cresceria 3% neste ano. Em abril, houve a primeira revisão: crescimento de até 2% no ano. ''Não definimos para quanto será (a nova revisão), mas certamente será para baixo'', disse ontem a diretora da Fiesp.
Foram dois os fatores que afetaram a atividade industrial a partir do final de maio e em junho, segundo a Fiesp. Primeiro, a alta volatilidade do câmbio, que passou de uma taxa de R$ 2,50 por dólar em maio para R$ 2,795, ontem.
Depois, as perdas que as empresas sofreram nos fundos DI e de renda fixa, decorrentes da mudanças nas regras de contabilidade desses investimentos. ''Em janeiro, prevíamos que, no pior cenário, terminaríamos 2002 no zero a zero. Agora, se conseguirmos recuperar os postos que já perdemos até junho, terá sido formidável. Mas até isso me parece que será muito difícil.''
Dos 47 setores pesquisados, 22 apresentaram queda no nível de emprego em junho; 18 tiveram crescimento e 7 mantiveram estabilidade. Entre os setores que apresentaram quedas estão máquinas (0,11%) e componentes automotivos (0,03%). ''Dois setores ligados a decisões de investimento e de consumo de bens duráveis'', lembra Clarice.


