Nível de emprego industrial em julho recuou 0,9%, apura IBGE
O emprego na indústria recuou 0,9% em julho, na comparação com o mês anterior, que tinha registrado retração de 0,1%. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou que, entre os 20 setores que reduziram o quadro de pessoal, os mais afetados pelo corte foram os ramos de fumo (-27,2%) e madeira (-4,9%). De junho para julho, só houve saldo positivo em dois segmentos industriais: minerais não-metálicos (0,9) e couros e peles (0,2%).
Em São Paulo, o ritmo de dispensas em julho foi bastante acelerado em relação ao mesmo período do ano passado: -10%. Em relação às demissões, o estado só perdeu para a Região Sul, que registrou -11,2%.
O desemprego atingiu indistintamente todos os setores industriais, sendo os ramos de fumo (-35,6%) e têxtil (-25,6%) os que registraram os mais elevados cortes de pessoal. Entre as regiões pesquisadas, o Nordeste foi a única área onde as admissões superaram as demissões na passagem de junho para julho deste ano. A evolução, classificada pelos técnicos do IBGE como modesta, foi puxada pelo aumento de empregos no ramo de fumo (20,8%), favorecido por fatores sazonais.
Comparação mais abrangente revela perdas significativas para os trabalhadores da indústria. Em relação a julho do ano passado, o recuo no nível de emprego chegou a 9,8%, com redução dos postos de trabalho em todos os locais e setores pesquisados. A queda de 9,1% no acumulado do ano também reflete o quadro de retração que se estende a todos os ramos industriais. Para os últimos 12 meses, o indicador fechou negativo em 7,8%.
Foram coletados dados em todas as regiões brasileiras e foi verificado que o total de salários pagos pelo setor industrial acompanha o movimento de perda observado no emprego. O valor total da folha de pagamento do pessoal ocupado mantém, em junho, taxas negativas.
Na comparação com junho de 1997, o gasto total diminui 9,5%; no acumulado do ano, caiu 8,2% e, nos últimos 12 meses, o índice é de -6,2%. O valor real das horas extras caiu 4,3% entre maio e junho e, entre as áreas investigadas, a regiões Nordeste (- 14,5%) e Sul (-10,4%) apresentaram o recuo mais intenso.
Em São Paulo, o valor pago pelas horas extras baixou 2,3%. Mas, na avaliação global, o salário médio real voltou a avançar entre junho e julho (0,7%), depois de três meses de quedas consecutivas.
A elevação do salário por trabalhador, constatada em todas as regiões, foi maior no Sul (1,7%), onde o contingente de trabalhadores mais se reduziu. O resultado comprova tendência já detectada na estrutura de trabalho, de maiores ganhos de produtividade, com seletividade da mão-de-obra. Em São Paulo, o aumento do salário médio na indústria foi de 0,2%.Arquivo FolhaCorte de pessoalDesemprego atingiu todos os setores industriais em julho. No têxtil, 25,6% das vagas foram eliminadasAgência Estado





