Brasília - O nível do emprego e dos salários na indústria deverá fechar 2004 com o melhor desempenho dos últimos 10 anos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa Indicadores Industriais da CNI, divulgada ontem, o emprego no setor em novembro cresceu 6,59% em relação a novembro de 2003, aumentou 3,16% no acumulado do ano e subiu 0,48%, na comparação com outubro de 2004.
Esse crescimento verificou-se também nas vendas industriais, que subiram 14,95% de janeiro a novembro. Já as horas trabalhadas na produção aumentaram 5,7% e a massa salarial subiu 8,85% no mesmo período, já descontados inflação e fatores sazonais. Na comparação com novembro de 2004, os crescimentos foram respectivamente de 11,09%, de 9,72% e de 10,26%. E, em relação a outubro de 2004, houve aumento de 1,83% nas vendas, de 0,30% nas horas trabalhadas e de 1,49% nos salários.
Segundo o coordenador técnico da pesquisa, Flávio Castelo Branco, o resultado mostra a consistência da retomada da atividade industrial. ''A continuidade da expansão industrial é um fato consumado'', afirmou. A continuidade desse movimento, no entanto, depende, entre outros fatores, da política monetária, segundo o economista. Sua expectativa é de que os juros voltem a cair ainda na primeira metade deste ano.
Apesar do aquecimento nas vendas, o economista afirma que não há risco de falta de produtos, pois a indústria está ampliando sua capacidade instalada. Segundo a pesquisa, o uso da capacidade passou de 82,7% em outubro para 83,5% em novembro, pelo índice dessazonalizado. Mas esse nível vem sendo sustentado desde junho.
No entanto, o ritmo de crescimento do emprego industrial deverá esmorecer nos próximos meses, segundo Castelo Branco. ''A taxa superior a 3% ao ano é a maior desde 92, quando começou a pesquisa CNI'', comentou. Ele acredita que um ritmo semelhante só ocorreu na década de 70.
A maior intensidade das contratações ocorreu no segundo semestre de 2004, quando a taxa anualizada ficou perto de 9%. O economista considerou insustentável esse ritmo de contratações porque, se somado ao aumento da produtividade, apontaria para um crescimento da atividade industrial superior ao que se verifica na China. ''Em seis anos a mão-de-obra empregada dobraria'', observou.
A pesquisa mostrou também que o aumento na massa salarial, que cresceu 8,85% de janeiro a novembro de 2004, deve-se principalmente à correção salarial, que responderia por aproximadamente 5 pontos deste total. Os outros 3,5 pontos seriam decorrentes do aumento do emprego.

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