O ano de 2001 foi pior do que o de 2000 em relação ao emprego, segundo avaliação técnica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve alguns ganhos, como o verificado em novembro, quando a taxa média de desemprego caiu para 6,4%, 0,2 ponto porcentual menos que em outubro. Mas levando em conta todos os resultados do ano até novembro da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife a situação piorou.
A gerente da PME, Shyrlene Ramos de Souza explicou que o desemprego sempre diminui em novembro por conta da proximidade com o Natal, mas que a taxa média de desemprego com ajuste sazonal, ou seja, que elimina as grandes variações causadas pelas características de cada mês, atingiu 7,2% em novembro, a maior deste ano. Esta taxa de desemprego livre de influências sazonais aumentou 1,6 ponto porcentual de janeiro a novembro deste ano e no ano passado tinha crescido apenas 0,7 ponto porcentual. ''Isso mostra que este ano foi pior'', afirmou Shyrlene.
''Houve um aumento do desemprego, ainda que não expressivo; desaceleração do crescimento dos postos de trabalho e há mais gente fora do mercado de trabalho. Isso em função dos juros altos, que afetam principalmente o comércio, da alta do dólar, das turbulências internacionais e da crise de energia'', disse ela.
O desemprego cresceu 0,2 ponto porcentual na taxa sem ajuste sazonal em relação a novembro do ano passado. O tempo médio de procura por emprego subiu de 21,8 semanas (mesma taxa registrada em novembro do ano passado e outubro deste ano) para 23,1 semanas no mês passado.
O número de pessoas fora do mercado de trabalho aumentou 0,5% de outubro para novembro e 5,6% em relação a novembro do ano passado. De janeiro a novembro, em relação ao mesmo período do ano passado, a quantidade de pessoas fora do mercado de trabalho subiu 6,4%.
Apesar disso, a pesquisa mostrou também resultados positivos. Houve um aumento de 4% no número de empregados com carteira de trabalho assinada de janeiro a novembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Aumentou também, em 0,7%, o número de trabalhadores na mesma comparação, no total das seis regiões metropolitanas pesquisadas.
De acordo com Shyrlene, ''isso mostra um aumento na qualidade do emprego em função dos resultados favoráveis do início do ano''. A participação dos trabalhadores com carteira assinada na população ocupada passou de 43,6% em 2000 para 45% este ano. Este aumento da participação dos trabalhadores com carteira assinada foi generalizado entre os setores pesquisados.
O número de pessoas que estavam trabalhando em novembro aumentou 0,3% em relação a outubro. Isso ocorreu principalmente por causa da criação de postos de trabalho na construção civil (4,1%) e no comércio (1,8%).
Na indústria de transformação, o número de trabalhadores caiu 1,7% e nos serviços não houve alteração significativa, segundo o IBGE. Geograficamente, a região metropolitana que puxou o aumento no número de pessoas trabalhando em novembro foi Recife, com 2,3% de crescimento, seguida de Belo Horizonte, com 0,9%, e Salvador com 0,4%. A quantidade de trabalhadores manteve-se estável em São Paulo e no Rio e caiu 1% em Porto Alegre.
A pesquisa também mostrou uma redução da participação dos jovens de 15 a 17 anos entre o total de trabalhadores: de 2,3% no ano passado para 2% este ano até novembro. Exibiu ainda o aumento da participação dos trabalhadores entre 40 e 59 anos de 34,7% para 35,8%. ''Isso se deve àquela tendência da década de 90, de exigência de maior qualificação, o que leva as pessoas mais jovens a passarem mais tempo estudando antes de se empregar e os mais velhos, em geral, já são mais qualificados'', disse a gerente da pesquisa. O número de trabalhadores com 2º Grau completo aumentou de 24,3% em 2000 para 25,4% de janeiro a novembro de 2001.

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