Arquivo Folha‘Popular do popular’
Mercado de carros com baixa cilindrada, que chegaram a custar R$ 7 mil, oferece o melhor potencial para a indústria automobilística no Brasil, segundo o consultor. Além de atender o consumidor doméstico, produção poderia ser exportada para África e China
A produção de veículos no Brasil só recuperará os níveis do ano passado a partir do ano 2000. A previsão é do vice-presidente da ATKearney no Brasil, Rogério Aun. Para o consultor, a produção cairá 15% este ano - previsão que coincide com a da indústria -, ficará abaixo do volume de 1997 e só conseguirá ultrapassar os níveis do ano passado em 2000.
O setor dificilmente chegará, desta forma, ao volume anual de 2,5 milhões de veículos, que os fabricantes projetavam para o início do século. Muito menos alcançará os 3 milhões que alguns especialistas chegaram a arriscar, com uma boa dose de otimismo, com a perspectiva de investimentos no setor.
No ano passado, a indústria produziu 2,065 milhões de unidades. Já não espera passar de 1,7 milhão este ano. Para Aun, o Brasil passa ainda por um processo de ajustes, que inclui a preocupação do consumidor com a preservação do emprego e do seu nível de renda.
Aun defende ainda que o Brasil explore melhor a vocação para o carro popular, o seu mais rico filão no mercado doméstico e no dos países emergentes. Segundo ele, a preços entre US$ 5 mil e US$ 7 mil, o carro popular brasileiro poderia ser exportado, por exemplo, para mercado como os da África e o da China, países com alto potencial de consumo.
Na verdade, a indústria precisa lançar uma espécie de ‘‘popular do popular’’ - ou seja, fazer carros mais baratos do que a atual linha, aconselha o especialista. Com carros próximos aos padrões da época do lançamento deste tipo de veículo, que chegou ao mercado custando US$ 7 mil, o mercado interno poderia crescer. ‘‘O Brasil tem uma capacidade inexplorada e isso, além das exportações, criaria um mercado interno muito forte’’, diz Aun.

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