São Paulo - A retomada da economia neste fim de ano abre espaço para a redução do desemprego, mas esse processo só deverá ganhar fôlego a partir de meados do próximo ano. Segundo especialistas, costuma haver uma defasagem média de seis meses entre o reaquecimento da produção e a decisão de contratar. A taxa de desemprego no País chega a 12,9% da População Economicamente Ativa, de acordo com o IBGE. Mas só na Região Metropolitana de São Paulo, onde há mais de 2 milhões de desocupados, em cada grupo de 5 pessoas uma não tem emprego, conforme pesquisa da Fundação Seade-Dieese.
''O problema é o 'stop and go': a economia anda um pouco e pára'', diz Clarice Messer, diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ela se referia ao processo que dominou a economia brasileira nos últimos 20 anos, alternando ciclos curtos de crescimento com paradas bruscas. ''Numa situação dessas, o empresário atua na retranca, pois não tem previsibilidade para fazer projeções de investimento e de crescimento'', acrescenta.
Mantido o ritmo atual de recuperação de vendas no varejo e da retomada da produção, especialistas dizem que seis meses seriam suficientes para que houvesse a certeza de que o aquecimento dos negócios não é apenas outra ''bolha''. ''Os empresários não têm pressa, porque embora tenham feito demissões na fase recessiva, eles também buscaram ganhar eficiência e produtividade e agora podem viver algum tempo com o quadro enxuto e racionalizado'', diz José Pastore, professor de Relações do Trabalho da USP.
Um bom exemplo é o da indústria de transformação no Estado de São Paulo. Responsáveis por quase 45% da produção industrial brasileira, as empresas paulistas do setor fecharam mais de 634 mil postos de trabalho desde julho de 1994, quando começou o Plano Real. O corte atingiu 29,4% da mão-de-obra, mas isso não impediu que a produção crescesse 10,6% no período. ''Não há empresa que funcione da mesma forma que há 5 ou até 3 anos'', frisa Clarice.
Enquanto não tiver 100% de certeza de que a economia entrou numa trajetória consistente de crescimento, a tendência do empresário no primeiro momento é aumentar o uso do expediente de horas extras, mantendo o mesmo quadro de pessoal, diz Alexandre de Freitas Barbosa, assessor econômico da Secretaria do Trabalho da Prefeitura de São Paulo.
Isso não significa que os indicadores não venham a captar nos próximos meses aumento no número de vagas, mas deverá ser em quantidade insuficiente para absorver parte da massa de desempregados, à qual se acrescentam 1,5 milhão de pessoas que entram no mercado de trabalho todo ano. ''Quando há sinais de recuperação da economia, mais pessoas se animam e começam a procurar emprego, fazendo com que a taxa de desemprego não caia ou até cresça'', observa o economista Armando Castelar, do Instituto de Economia Aplicada (Ipea).

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