O brasileiro que tirou do buraco a Nissan, terceira maior montadora do Japão, quer adaptar à recém-inaugurada fábrica do grupo no País a filosofia de que, para sobreviver, uma empresa precisa ter funcionários motivados, senso de urgência e resistir à tentação de vender produtos com prejuízo para conquistar participação no mercado. Carlos Ghosn, presidente mundial da Nissan há dois anos, diz que os modelos a serem produzidos no Paraná terão preços competitivos, mas com lucratividade para a companhia.
‘‘A estratégia de vender com preços baixos para ganhar participação no mercado é perigosa. A Nissan já fez isso no passado e depois teve de tomar decisões drásticas para se recuperar’’, afirma Ghosn. Ele veio ao Brasil para participar da inauguração da fábrica conjunta com a Renault e esticou sua estadia para passar férias com familiares no Rio de Janeiro.
A linha de montagem entrou em operação mês passado com o utilitário Master, da marca francesa, e em maio começa a produção do japonês Frontier. Depois chegam mais três veículos, um deles da categoria dos chamados populares, na faixa de preço de R$ 14 mil. ‘‘Não podemos entrar no Brasil sem fazer um popular, segmento que responde por 75% das vendas.’’
A opção por começar com veículos de grande porte é por causa da maior garantia de retorno do investimento. ‘‘Começamos com modelos maiores para conhecer o mercado, fazemos lucro e depois produzimos um popular, cuja rentabilidade é sempre menor’’, explica o executivo. Ele espera que a fábrica paranaense – a primeira em conjunto com a Renault após a aliança mundial ocorrida em 1999 – apresente resultados positivos em quatro anos. O investimento no projeto é de US$ 300 milhões.
O prazo de retorno pode ser ampliado em seis meses a um ano se o mercado argentino demorar a reagir. A fábrica brasileira será pólo de exportação para a América do Sul e o país vizinho era cliente potencial.

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