Nipomed é acusada de estelionato
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Os cartões de desconto de saúde, que proliferaram no mercado nos últimos quatro anos, inspiraram-se no modelo japonês introduzido no país em 1977 pela Nipomed. A empresa, que chegou a ter 1,5 milhão de usuários, está reduzida a 300 mil clientes e responde a processo por estelionato.
Seu modelo de negócio, depois copiado pelas demais empresas de cartão de saúde, baseia-se na cobrança de uma taxa anual, em vez de mensalidades como nos planos de saúde. O plano familiar custa R$ 442,75 e oferece uma rede de médicos, laboratórios e hospitais conveniados.
A diferença em relação aos planos de saúde é que, enquanto nesses o consumidor não tem nenhum desembolso além da mensalidade, na Nipomed ele paga sempre que usa um serviço. Os preços são os da tabela da AMB (Associação Médica Brasileira). Mas, segundo Januário Montone, diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde), a tabela é ilegal.
Não foi, entretanto, pelos serviços prestados que a Nipomed foi parar nos tribunais. Inicialmente voltada para a colônia japonesa, a empresa estendeu sua atuação a partir de 1997, ao abrir 22 franquias no Japão.
Em 2001, foi denunciada por 16 desses franqueados por estelionato e lavagem de dinheiro. O caso foi investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial para Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
Segundo o advogado da empresa, Marcelo Fernandes, o processo criminal aberto pelo Ministério Público ainda não foi concluído e ''corre em segredo de Justiça''.
Nele, o presidente da Nipomed, Tsutomu Matsumoras, é acusado de vender franquias da marca a decasséguis, no Japão, convencendo-os de que, quando retornassem ao Brasil, teriam aqui um negócio lucrativo.
''Ele (Matsumoras) pegava o dinheiro dos decasséguis em dólar e depositava fora do Brasil. Quando eles voltavam ao país, viravam meros vendedores. É um negócio de quadrilha'', diz Célio Domingues, advogado dos franqueados.


