A cidade de Londrina passou os dois últimos dias com mais medo do que o normal, o que já não é pouco. Os acontecimentos envolvendo as apreensões de mercadorias contrabandeadas feitas pela Polícia e Receita Federal mostram que a cidade está à mercê da atividade ilegal. Produtos contrabandeados ou piratas são vendidos livremente nas ruas de Londrina e em muitas bancas dos chamados camelódromos.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, lembra que uma micro-empresa comercial formal, com faturamento até R$ 120 mil por ano - R$ 10 mil por mês - paga 2,75% de imposto, o que daria R$ 3.300,00 em 12 meses. ''As empresas informais não arrecadam impostos e competem de forma desigual com as empresas que pagam suas obrigações fiscais regularmente. Isto está provocando um problema muito sério no país, mas em especial aqui em Londrina onde todos os dias aumenta a informalidade'', explica Ribeiro.
Segundo ele, cada uma destas empresas informais tem, no mínimo duas pessoas trabalhando. ''Fazendo um cálculo básico, se mil pessoas que ganham o salário mínimo deixam de recolher a contribuição ao INSS, o órgão deixa de arrecadar quase R$ 500 mil por ano. É um dinheiro que faz falta para a melhora do sistema de saúde, para a aposentadoria. É importante lembrar que as pessoas que não pagam impostos usam do sistema público de saúde, de educação, enfim, da infra-estrutura da cidade. Ou seja, quanto menos gente paga mais sobra para um grupo de poucos contribuintes pagarem'', explica Ribeiro.
Os malefícios do contrabando e da pirataria não afetam apenas a arrecadação de impostos. O produto pirata e o contrabando que entram ilegalmente no país afetam as indústrias. ''Quando o produto chinês entra de forma legal no Brasil, pagando impostos, as empresas nacionais já têm grande dificuldade de competir pois o custo de produção deles é muito mais baixo e a carga tributária inferior a nossa. Agora quando o produto chega através do contrabando aí fica impossível mesmo. Estamos criando empregos na china, em detrimento do nosso mercado'', diz o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina Rubens Augusto.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, a questão do contrabando é muito mais grave do que se imagina. ''O contrabando não chega ao seu destino sem, no caminho, deixar um rastro de corrupção. São pessoas sendo subornadas, gente recebendo propina, além de uma série de outras ilegalidades. O fato é que o contrabando contribui muito para desestruturar as nossas instituições'', comenta Ribeiro.
Rubens Augusto afirma que o que está acontecendo em Londrina vai contra a corrente do que está acontecendo em outras cidades do Paraná e do Brasil. Segundo ele, as cidades estão percebendo os malefícios da informalidade e da venda de produtos contrabandeados e lutando contra isso. ''Em Londrina, ao contrário, a informalidade é incentivada pelo poder público municipal'', diz ele.
José Ribeiro e Rubens Augusto dizem que as duas entidades apoiam a abertura de novas empresas, desde que elas cumpram a lei como as demais. ''Nós entendemos que a carga tributária, beirando os 40% do Produto Interno Bruto (PIB), não é um estímulo para investir, mas não podemos aceitar a ilegalidade. Nós precisamos proteger as empresas que pagam impostos e geram empregos. Sem elas o país pára'', diz Ribeiro. Segundo ele, é uma pena que os camelôs tenham perdido patrimônio, porém quem está no descaminho corre este risco e eles sabem disto. ''Outra coisa que não está bem explicada é que para construir um empreendimento deste é preciso muito dinheiro e os camelôs não têm. Temos informações que há empresários, inclusive de fora da cidade, que são donos de vários boxes que depois são sublocados. Os camelôs estão engordando o bolso de outras pessoas'', afirma Ribeiro.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

mockup