Cuidados e uma certa desconfiança podem evitar que os consumidores sejam vítimas em crimes financeiros. Na avaliação da Polícia Federal (PF) e de órgãos de defesa dos direitos do consumidor, a maioria dos casos ocorre devido à própria ganância e à cobiça das pessoas, que enxergam na ''oportunidade'' oferecida uma maneira de ganhar mais dinheiro. Na semana passada cinco pessoas foram presas em Curitiba acusadas de manter um ''banco pirata'' com a oferta de juros bem superiores aos praticados no mercado.
''Ninguém deve acreditar em milagre. Consumidor têm que desconfiar'', avalia Flávio Caetano de Paula, coordenador do Núcleo Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon) em Londrina. Para evitar ser vítima neste tipo de golpe, a PF ensina que a pessoa deve se cercar de documentos que comprovem a aplicação feita. Se o golpe estiver sendo praticado por funcionários de um banco -como foi o caso registrado na capital - a orientação é que a oferta seja confirmada com a superintendência da instituição. Além disso, a informação sobre o serviço pode ser confrontada em outras agências da instituição ou até no site oficial do banco.
O consumidor ainda deve acompanhar toda a movimentação do dinheiro aplicado no site da instituição bancária. Isto deve ser feito porque extratos e formulários impressos podem ser falsificados, enquanto a adulteração de uma página da internet, cujo acesso requer o uso de uma senha eletrônica, é mais difícil de ocorrer. A ordem máxima é desconfiar de todo produto ou serviço que fuja do padrão normal. O Procon também orienta que o consumidor busque orientações no próprio órgão.
''O consumidor pode vir ao Procon buscar informações adicionais sobre o produto ofertado e até saber da sua viabilidade. Os brasileiros têm mania de confiar de ver só as informações positivas, mas devem tomar cuidado'', avalia Caetano de Paula. Segundo ele, também é importante conhecer pessoas que já obtiveram algum ganho com o mesmo produto ofertado a ele. Já o Banco Central orienta aos consumidores a certificação se a instituição financeira tem autorização para funcionar. Essa informação pode ser obtida nas regionais do BC nas capitais ou via telefone.
Em Londrina, por exemplo, não é registrado com frequência crimes financeiros semelhantes ao de Curitiba. No entanto, tem aumentado as fraudes contra financeiras. Neste caso, consumidores utilizam documentos falsos ou ''nomes de laranjas'' para obtenção de empréstimos e depois não arcam com as parcelas do financiamento. Segundo a PF, neste ano já são dez inquéritos, enquanto no ano passado praticamente não havia este tipo de ocorrência.

mockup