Nichos comerciais facilitam vendas
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
É melhor tentar o sucesso nos negócios sozinho ou cercado por lojas do mesmo segmento? A dúvida, natural quando alguém pretende abrir uma empresa, é logo descartada pelos especialistas, unânimes em afirmar que estar próximo dos concorrentes pode trazer muitos benefícios. A organização geográfica do mercado, conforme o consultor de empresas Mario Nei Pacagnan, facilita a vida do consumidor, que parte do seu''imáginário de consumo'' e desenvolve mapas de compras em questão de segundos.
''Hoje, quando o cliente pensa em peças para carros lembra da rua Guaporé. Se a procura é por móveis mais refinados lembra da avenida Maringá, materiais de construção a Tiradentes, óticas a Souza Naves. O consumidor associa as ruas ao comércio e vai direto ao local'', exemplificou Pacagnan. Com algumas exceções, segundo ele, o consumidor passa por outros locais, porém para ganhar tempo normalmente recorre às zonas de comércio.
Conforme o consultor, a organização geográfica do consumo é um aspecto característico das cidades que estão em desenvolvimento. Para ele, a aglomeração dos segmentos é interessante para o empresário e vantojoso para o cliente. ''O empresário ganha porque o movimento de pessoas nessas áreas, em busca do produto que está à venda, é bem maior. E o consumidor porque poupa tempo'', enfatizou.
O consultor e responsável pela área de varejo do Sebrae, Cristovam Dias Junior, salientou que a vantagem para o empresário está no sentido da propaganda e divulgação. ''É mais simples de ser feita. No nicho de mercado o fluxo de pessoas que procura a mesma coisa é natural'', pontuou. Se a loja for instalada em uma área ''isolada'', considerou ele, o negócio também tem chances de obter sucesso, mas o trabalho de marketing terá que ser mais forte.
Dias frisou que alguns setores como o de roupas e calçados permitem a pulverização e podem ser instaladas numa área com mix de produtos. ''Mas dependendo do setor é melhor estar perto da loja do mesmo segmento''.
Para ganhar do concorrente, os consultores lembram que sai na frente quem oferece algum diferencial. ''Ganha quem oferece os melhores descontos e forma de pagamento, garantia de prazo de entrega, bom atendimento. O cliente passa pela loja e faz uma cotação, quem tiver diferencial fica com o consumidor'', cogitou Dias. Ele ainda acrescentou que, muitas vezes, a escolha pela loja não é concreta e sim circunstacial, por isso algumas atitudes por parte do comerciante são fundamentais. ''A fidelização também é um dos segredos para ganhar da concorrência'', concluiu.
Antes de abrir uma loja, entretanto, a orientação dos consultores é de que seja feita uma pesquisa de mercado. ''Essa é uma ferramenta de apoio para a formalização do ponto'', comentou Pacagnan. É preciso considerar, segundo ele, o público-alvo que se pretende atender, os atributos de compra da comunidade, o interesse do público daquela região. ''Às vezes defini-se um público-alvo que não tem acesso fácil ao local onde está o nicho de mercado. Então muda-se o público-alvo ou aproxima a loja dele. É o consumidor quem define o ponto'', finalizou.


