New Holland quer crescer 50% em 3 anos
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sábado, 11 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Kraw PenasFuturo promissorUmberto Quadrino, da New Holland: governo vai beneficiar agricultura na segunda fase da estabilização Depois de dois anos de desaquecimento nas vendas, a fábrica de tratores e colheitadeiras New Holland do Brasil, com sede em Curitiba, espera crescer 50% nos próximos três anos. O aumento nas vendas está se dando aos poucos à medida que acontece a retomada da atividade agrícola no País, abalada desde a implantação do Plano Real, em 1994. Por enquanto, a holding da New Holland comemora os números da fábrica mineira de maquinário para rodovias. A empresa deve ter o melhor desempenho dos últimos dez anos.
Neste momento da economia brasileira, o setor de maquinário rodoviário é o que mais empolga a direção mundial da New Holland NV - holding formada em 1991 quando o grupo Fiat comprou a Ford New Holand. A empresa, que produz máquinas para o segmento rodoviário, é a Fiat Allis Americana com sede em Belo Horizonte (MG). A atenção em cima da empresa mineira se deve ao período eleitoral. Estamos num período pré-eleitoral e por isso o mercado é bom para o setor de maquinário rodoviário. Após, outubro de 98 teremos uma redução nas vendas, admite o presidente mundial da New Holand, Umberto Quadrino. A estimativa de venda para este ano é de 2,3 mil unidades, 50% a mais que no ano passado.
Quadrino esteve nesta semana no Brasil para participar da reunião anual do grupo Fiat. O encontro foi em Belo Horizonte. Ele teve ainda um encontro com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Quadrino visitou também a fábrica curitibana da New Holland e o escritório em Buenos Aires (Argentina).
Há dois anos a frente do comando da New Holland, Quadrino fez questão de mostrar que está otimista com o mercado brasileiro, apesar da crise no setor agrícola nos últimos três anos. O governo concorda que a agricultura está sacrificada e promete beneficiá-la na segunda fase da estabilização, afirmou. Ele garantiu não ter feito qualquer reclamação sobre a economia nacional a Fernando Henrique.
Quadrino aposta na melhora de mercado. A perspectiva é de crescimento, porque tivemos um passado e um presente desanimador. Os investimentos são uma realidade para hoje, ou melhor, para amanhã pela manhã, disse, em tom bem humorado. Ele afirmou que os mercados europeu e até norte-americano tendem a estagnar, enquanto a economia em países da América Latina, Leste Europeu e Ásia estão em expansão. A próxima fábrica da New Holland será inaugurada em Nova Dely (Índia), país que comercializa 200 mil tratores por ano. O Brasil vende apenas 15 mil.
A venda nacional de tratores e maquinários agrícolas começou a dar sinais de recuperação neste ano. O auge da comercialização foi em 1994, quando foram vendidos 39 mil tratores, enquanto a capacidade instalada permitiria uma produção de 50 mil unidades. Em 95, as vendas caíram para 10 mil e no ano passado foram de 13 mil. O superintendente para a América Latina da New Holland, Valentino Rizzioli, estima que as vendas cheguem a 30 mil tratores até o final do ano 2.000.
Rizzioli disse que a fábrica em Curitiba passou por um momento de redução da atividade nos dois últimos anos. Tivemos que demitir quase metade dos funcionários, afirmou. Mas mesmo em tempo de vacas magras, os investimentos não pararam. A New Holland investiu US$ 80 milhões para se equipar e lançar novos produtos.
Da produção de tratores, 30% são exportados, sendo que 15% das exportações vão para os países do Mercosul, principalmente para a Argentina. Já no setor de colheitadeiras, a New Holland exporta metade do que produz e manda 80% do total para o Mercosul. Segudo o presidente mundial da empresa, não há previsão de abertura de novas fábricas nos países que formam o bloco econômico. A única fonte produtiva é o Brasil, garantiu Umberto Quadrino.


