Nestlé tem prazo para vender Garoto
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Das agências 
Brasília - O prazo que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu para a Nestlé vender a Chocolates Garoto, de 150 dias a contar da publicação da decisão no Diário Oficial da União, poderá ser prorrogado a pedido da multinacional suíça, caso a empresa encontre dificuldades, por exemplo, em encontrar compradores, informou ontem o relator do processo, conselheiro Thompson Almeida Andrade, por meio da assessoria de imprensa do órgão.
Andrade recomendou que a operação Nestlé/Garoto fosse desfeita. Segundo ele, a fusão provocaria concentração no mercado de chocolates, de aproximadamente 52% e poderia criar barreiras para a entrada de novas empresas no setor. ''Na análise que fizemos, não ficamos convencidos que haja a possibilidade do que chamamos de contestação do mercado, ou seja, que uma ou mais empresas entrem no mercado e impeçam que a Nestlé tenha um poder muito grande de dominar o mercado'', explicou o relator.
A prorrogação para venda dependerá de aprovação do plenário do Cade, que precisará de ''um motivo plausível'', segundo o relator. Ele informou, no entanto, que o conselho não admitirá que a situação se torne ''indefinida'', com uma prorrogação atrás da outra do prazo. Analistas do mercado de chocolates avaliaram, após a decisão do Cade, que a Nestlé poderá enfrentar dificuldades para vender todos os ativos adquiridos da Chocolates Garoto em 2002 por cerca de US$ 250 milhões.
Um dos motivos é que os possíveis interessados em comprar a empresa brasileira enfrentarão dificuldades para avaliar a operação, em virtude das incertezas em relação ao atual estado financeiro e operacional da Garoto, após quase dois anos de operação conjunta com a Nestlé. A avaliação dos analistas é de que o prazo é curto, ainda mais porque a Nestlé estuda entrar com recurso na Justiça para reverter o julgamento do Cade. O presidente da Nestlé do Brasil, Ivan Zurita, disse ontem que a empresa, a princípio, obedecerá os prazos estipulados pelo Cade.
A Nestlé passou a administrar a Garoto em 2002. A multinacional desembolsou cerca de US$ 250 milhões para a compra. Depois de 15 dias, os órgãos de defesa da concorrência foram informados da fusão.


