Nestlé estuda alternativas para comprar mais leite
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Sandra Hahn<br>Agência Estado 
Brasília - A Nestlé irá fazer um estudo de alternativas com as quais poderia contribuir para reduzir o impacto da crise da Parmalat no setor de laticínios. O presidente da empresa, Ivan Zurita, afirmou ontem que a iniciativa responde a uma solicitação do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que está realizando reuniões com a cadeia produtiva em busca de uma forma de atenuar o efeito da crise. Em uma estimativa preliminar, Zurita disse que a Nestlé poderia absorver 500 mil litros de leite adicionais por dia.
O executivo observou que a análise da empresa será feita o mais rápido possível e estimou que deverá ter uma posição na próxima semana. A Nestlé recebe 4 milhões de litros de leite por dia e está trabalhando atualmente com 100% da sua capacidade industrial, pois está em um período de alta temporada no recebimento de leite.
A análise da empresa irá indicar quando e com que finalidade ela poderia absorver um volume adicional de leite - a empresa pode, por exemplo, estimular exportações. Daqui a dois meses, a indústria começará a ter capacidade ociosa, quando termina a alta temporada na entrega.
Ao analisar a crise da Parmalat, Zurita disse que sua maior preocupação são os produtores. Ele considerou ''difícil'' a situação da multinacional italiana e afirmou que não há interesse da Nestlé na possível aquisição de equipamentos da concorrente porque não agregariam tecnologias. O principal produto da Parmalat é o leite longa vida - e a Nestlé não tem interesse em ingressar neste mercado.
Os produtos de maior valor agregado - onde a Parmalat tem produtos concorrentes - são o foco da Nestlé, ressaltou o executivo. O mais problemático não seria absorver o volume de leite que hoje está comprometido com a Parmalat, mas o tempo necessário para a redistribuição deste produto na cadeia produtiva, analisou Zurita.


