Com investimento aproximado de R$ 80 milhões e parceria com o cantor Roberto Carlos, a Nestlé do Brasil lançou ontem, em São Paulo, o projeto de comunicação Nestlé Faz Bem, que norteará as ações de marketing da empresa durante 2004. A campanha tem o objetivo de consolidar a posição de liderança da companhia, concentrar investimentos nas marcas pilares e dar suporte ao crescimento das vendas.
De acordo com Ivan Fábio Zurita, presidente da Nestlé Brasil, a empresa faturou R$ 9,6 bilhões em 2003. O índice alcançado adiantou, em um ano, a meta traçada em 2001. Na época com faturamento de R$ 4,7 bilhões, a companhia estimava dobrar a arrecadação em quatro anos.
Para 2004, o objetivo é crescer 7%, o que representa o dobro do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em 3,5%. O plano de investimentos é da ordem de R$ 150 milhões em melhorias técnicas, repetindo o número de anos anteriores. Zurita atribuiu 30% do crescimento obtido nos últimos três anos ao lançamento de novos produtos. O Brasil representa, para a Nestlé mundial, o segundo maior volume em vendas e o quinto país em faturamento.
Apesar dos números positivos, o presidente da companhia classificou o mercado interno brasileiro atual como ''difícil''. Segundo ele, as compras dos pontos de venda estão menores e mais frequentes, o que confirmaria queda no poder aquisitivo do consumidor.
De olho no mercado internacional de café, a Nestlé inaugurou, em abril, uma fábrica do café solúvel Nescafé em Araras (SP). ''Toda a produção será exportada'', afirmou Zurita. A capacidade produtiva estimada é de 22 mil toneladas ao ano, que serão vendidas a países da América Latina e Leste Europeu. A obra demandou R$ 100 milhões. As exportações da unidade devem atingir US$ 73 milhões anuais. Para chegar a esse patamar, a empresa vai dobrar a aquisição de café verde nacional, passando de 700 mil para 1,3 milhões de saca por ano. As vendas externas gerais da empresa devem totalizar US$ 200 milhões em 2004.
Questionado sobre a negação do pedido de reapreciação formulado pela Nestlé ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) contra a decisão que rejeitou a proposta de compra da empresa Chocolates Garoto, Zurita garantiu que a empresa continua no processo. ''Entramos com recurso em resposta aos conselheiros e esperamos o julgamento para 15 de julho'', disse. Na proposta, a indústria abre mão de marcas da Garoto e da Nestlé para consolidar a transação.

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