Brasília - O ministro do Planejamento e Gestão, Guido Mantega, procurou não dar importância às turbulências vividas pelo mercado financeiro nos últimos dias, acentuadas ontem com o aumento do risco Brasil e da taxa de câmbio. Na avaliação do ministro, essa volatilidade do mercado é ''normal e momentânea''. ''Se você olhar para os países emergentes, houve um aumento do risco País médio'', destacou Mantega, antes de uma reunião com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ele, esse nervosismo é atribuído à possibilidade de o Fed, o banco central norte-americano, aumentar as taxas de juros.
Ele também destacou que o mercado vive de notícias e que, se o Fed aumentar os juros, fará isso não agora, mas em julho ou agosto. ''O mercado tenta precipitar o que vai acontecer'', disse ele, acrescentando que não se ''admiraria'' se nos próximos dias essa situação de volatilidade fosse revertida. ''A expectativa é sempre pior que o acontecimento. A expectativa é de que os juros cresçam numa velocidade maior. Depois, quando acontecer, vemos uma subida de 0,25%, 0,50%. Não é nada, não vai ter repercussão. E aí, o risco vai cair'', comentou Mantega, em relação à elevação do risco do Brasil.
O ministro reconheceu, no entanto, que todos os indicadores econômicos só vão melhorar quando ocorrer a elevação dos juros pelo Fed. Ele lembrou que o risco País é um indicador de curtíssimo prazo, que se move diariamente. Mantega também ressaltou a necessidade de se olhar os fundamentos da economia brasileira. ''Temos de olhar para os fundamentos da economia brasileira, que vai muito bem, obrigado. É isso que dá solidez e segurança.''
Mantega admitiu que o aumento do preço do petróleo pode levar a uma pressão inflacionária. ''Pode gerar, mas também acredito que esse aumento é momentâneo e não deve perdurar'', afirmou. De acordo com o ministro, o aumento dos preços do petróleo não gerou pressão inflacionária no Brasil porque a evolução dos preços dos combustíveis é muito favorável no País. ''Os preços dos combustíveis cresceram menos do que a inflação no País ultimamente'', disse. Ainda referindo-se à pressão inflacionária, declarou: ''Por enquanto não temos o efeito disso.''

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