Neo-rurais, novos personagens do campo no Brasil
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sexta-feira, 26 de maio de 2000
Roberta Jansen Agência Estado 
O meio rural hoje não é mais sustentado pela atividade agrícola tradicional, afirmou ontem o economista José Graziano Silva, professor da Unicamp, em palestra no Conselho Federal de Economia, no Rio. De acordo com ele, o Plano Real acabou com boa parte dos empregos na agricultura ao estimular a importação de gêneros alimentícios. A agricultura pagou o pato da abertura econômica, disse. E a situação no campo mudou muito.
Em 1992 mais de onze milhões de pessoas da área rural trabalhavam em atividades agrícolas, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) de 1998, apresentados por Graziano. Seis anos depois, esse número não chegava a dez milhões. Em contrapartida, o número de pessoas ocupadas com atividades não-agrícolas no meio rural passou de 3,8 milhões em 1992 para 4,2 milhões em 1998. A mecanização das lavouras também contribuiu para a queda de empregos, afirmou.
Neo-rurais De acordo com Graziano, há uma nova
conformação do meio rural brasileiro. Esse novo rural é formado, basicamente, por três grandes grupos de atividade: uma agropecuária moderna ligada à agroindústria; atividades não-agrícolas de moradia, lazer e prestação de serviços, como pousadas, pesque e pague; e um conjunto de novas atividades agropecuárias, como criação de escargot, plantação de alface hidropônica, criação de orquídeas, entre outras, citou.
Entre os novos personagens do campo, na análise de Graziano, estão os neo-rurais (profissionais liberais e outros ex-moradores das cidades que passaram a residir no campo), assentados (ex-sem-terra) e os batizados pelo economista de sem-sem. Eles são sem-terra, sem emprego, quase sempre sem casa, sem saúde, sem educação e sem organização, coisa que os sem-terra já conseguiram, explicou. São de 15 a 20 milhões de pessoas, com tendência a migrar se o governo não adotar alguma política para segurá-los lá.


