Cerca de 20% dos 3,5 mil hectares de área plantada com café na região de Londrina estão infestados com algum tipo de nematóide. Os vermes, que atacam o sistema radicular dos pés de café, podendo dizimar por completo a produção, foram o tema principal discutido durante o 19º Encontro de Cafeicultores de Londrina, ocorrido ontem no Distrito de São Luiz (Zona Sul). Romeu Gair, engenheiro agrônomo do Institudo Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que a situação na cafeicultura na região para os 300 produtores locais está crítica, já que os nematóides estão se alastrando cada vez mais rápido pelas lavouras da região.
Gair afirma que para tentar minimizar esse problema, o Emater vem trabalhando com os produtores ações de manejos que podem intervir no desenvolvimento das pragas. O agrônomo explica que identicar uma infestação por essa praga é uma das primeiras atitudes. Segundo ele, essa tarefa não é fácil, já que as plantas começam a ser deterioradas pelas raízes, o que torna difícil a visualização. ''Quando o produtor percebe, já perdeu todo o pé'', lamenta. Mas o especialista acrescenta que uma planta pouco desenvolvida e de baixa floração pode ser um indício de que algo de errado está acontecendo.
Segundo Gair, uma série de ações de prevenção pode ser adotada antes que a lavoura seja alvo desses vermes. Uma delas é o plantio de mudas certificadas. O especialista garante que uma muda de boa qualidade garante melhor resistência a alguns tipos de nematóides. Outra indicação é o controle da erosão e o aumento na retenção de matéria orgânica no solo, principalmente com o uso do plantio direto. Gair recomenda que ao constatar infestação em uma determinada área, é importante sempre limpar os implementos agrícolas para não disseminar ainda mais os nematóides.
De acordo com Jefferson Hernandez, engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura, esses procedimentos são importantes, já que para esse tipo de praga não há controle com defensivos agrícolas. ''Com essas técnicas de manejo é possível reduzir esses 20% de infestação que a região de Londrina possui hoje'', observa. Hernandez reforça que outra técnica que pode erradicar o nematóide é a rotação de cultura. ''Quando o produtor substitui o café por outra atividade, seja ela uma produção de soja ou uma de pastagem, ele quebra o ciclo dos vermes'', enfatiza.
Tecnologia
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) irá lançar no final deste mês a nova variedade IPR 100. A tecnologia possui resistência aos nematóides mais presentes nas lavouras cafeeiras da região, o Meloidogyne paranaensis e o M. incognita. Gustavo Hiroshisera, um dos pesquisadores da nova variedade, afirma que além da tolerância a esses vermes, a cultivar possui bons índices de produtividade. Segundo ele, se o produtor fizer um bom manejo, principalmente em relação à correção do solo, adubação, entre outros, pode obter em quatro anos uma média de produtividade de 50 a 70 sacas por hectare.
Segundo o pesquisador do Iapar, o melhoramento genético é uma ferramenta que ajuda o produtor não só no combate às pragas, mas também produzir em condições de clima e solo pouco favoráveis. ''O IPR 100 possui boa adaptabilidade nas regiões quentes e também em solos pobres'', destaca Hiroshisera.
José Barizon, produtor de oito hectares de café na região de São Luiz, destinou uma área experimental de um hectare para o plantio do IPR 100. Segundo ele, essa foi a única área que não foi atingida pelos nematóides no último ciclo. ''Esse local foi bem mais produtivo do que os outros lotes'', comemora. No ano passado, Barizon colheu 1,5 mil sacas de café. Para este ano, ele estima uma produção equivalente.
A produção paranaense de café, conforme dados fornecidos pelo Departamento de Economia Rural (Deral), está estimada em 97.042 toneladas na safra 2011/12, ante 110.728 toneladas da safra anterior. Em área, o Paraná contabilizou um plantio de 69.502 hectares, ante 74.854 hectares do ciclo 2010/11.

Imagem ilustrativa da imagem Nematóides atingem 20% das lavouras de café em Londrina
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