Levantamento inédito realizado pela Sociedade Brasileira de Nematologia aponta que a nematóide, principal praga das lavouras em todo mundo, causou prejuízos de aproximadamente R$ 2,85 bilhões à agricultura brasileira no ano passado, atingindo principalmente as safras de café, cana, milho e soja. No café os nematóides comprometeram 15% da safra de 97, causando prejuízos de R$ 562,3 milhões. A cana foi a produção mais atingida, com perda de 15,3% em 97 e prejuízos de R$ 750 milhões. O milho teve prejuízo de R$ 466,3 milhões, com perda de 10% da safra e a soja, perda de R$ 616,3 milhões, também com perda de 10%.
Segundo o presidente da sociedade, Jaime Maia dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Agrárias de Jaboticabal (SP), o principal problema no combate ao nematóide é que a praga ainda é desconhecida em boa parte dos produtores. ‘‘A maioria dos agricultores atribui as perdas da lavoura à baixa produtividade do solo ou até mesmo às condições climáticas, ignorando a verdadeira origem do problema’’, afirmou.
Isso acontece normalmente porque a praga é invisível a olho nu e atinge diretamente a raiz das plantas. ‘‘Apenas exames minuciosos indicam a presença de nematóides numa lavoura, mas quando o problema é identificado, normalmente já é tarde para iniciar o combate.’’
O professor lembra que não existem nematicidas capazes de exterminar por completo a praga da lavoura. Segundo ele, os melhores nematicidas no mercado conseguem atingir uma eficiência de 80%, impedindo a proliferação do nematóide na lavoura. ‘‘Já tentaram usar querosene, fogo, e outros materiais, mas nada deteve o nematóide. É possível encontrar vestígio da praga até mesmo no subsolo de Hiroshima e Nagasaki, comprovando que o nematóide é resistente até mesmo à bomba atômica’’, disse ele.
Segundo Maia, no mundo existem 14 espécies de nematóides que atacam principalmente lavouras de café. No Brasil, existem sete tipos. ‘‘Os nematóides são responsáveis pela migração de culturas, como a de café por exemplo, de São Paulo para Minas’’.
Ele confirma que no ano passado foram identificadas espécies de nematóides pela primeira vez em três propriedades de Patrocínio, em Minas Gerais. Apesar do nível de infestação ainda ser baixo, Maia alerta para a facilidade proliferação da praga, principalmente através das granuladeiras de aplicação de defensivos, que circulam de uma fazenda para outra levando os nematóides em seus equipamentos.
Origem O nematóide existe no mundo desde a época dos faraós, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Nematologia. No Brasil, eles foram identificados pela primeira vez em 1887, ao dizimar a cultura cafeeira do Rio de Janeiro. ‘‘O verme suga as raízes, ingere toxinas e bloqueia o fluxo da ceiva. Quando o produtor percebe, já é tarde, porque durante o processo geralmente ele se engana com o diagnóstico e aplica defensivos voltados para outros tipos de praga’’, disse ele.
De olho no mercado de nematicidas, que é pouco explorado no País, a multinacional Cyanamid desenvolveu a primeira base móvel de pesquisa e identificação de nematóides na lavoura. O ‘‘Nemamóvel’’, como é conhecido, é um furgão com equipamento de última geração, que recebeu investimentos de US$ 30 mil.
O furgão é equipado com uma sonda que leva um microscópio e uma microcâmera de vídeo na ponta, tudo acoplado a um monitor de vídeo. Ao ser mergulhada num saco de terra retirado da lavoura, a sonda exibe na tela do monitor o nível de infestação de nematóides.
O projeto inicial do ‘‘Nemamóvel’’, que custou US$ 200 mil, prevê sua atuação nas propriedades de café e cana do Norte e Nordeste em dois anos. ‘‘Vamos mapear todo o Norte e Nordeste, identificando os focos de nematóide e indicando a melhor maneira de combater a praga’’, afirmou o gerente de mercado da Cyanamid no Rio de Janeiro, Guido Visintin.
O custo da análise nematológica para o produtor é zero. ‘‘Temos o objetivo de provocar uma maior conscientização dos produtores a respeito do problema e com a gratuidade do serviço, queremos conquistar o agricultor para que ele compre os nossos produtos, mesmo não sendo obrigado a isso e pondendo escolher entre os nossos concorrentes’’, disse.
O custo de uma análise nematológica para uma propriedade de 50 hectares de café é, em média, de R$ 1 mil. O número da Cyamid para solicitar a análise do ‘‘Nemamóvel’’ é: 0800 212308.
No Paraná No Paraná a ocorrência de nematóides se dá principalmente no arenito e atinge fortemente o Médio Paranapanema e Noroeste. O café foi uma das culturas mais prejudicadas pelo parasita nessas duas regiões. O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) tem tratado do problema com muita pesquisa e controle preventivo. Uma das medidas contra nematóides é melhorar a saúde do solo para que ele fique menos suscetível. O Instituto acumulou um amplo conhecimento em plantas recuperadoras de solo (cobertura verde), além de rotação de culturas e outras medidas de manejo.

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