Nem só o preço é fator de sucesso
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sexta-feira, 06 de setembro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Apesar de todas as fusões e aquisições no setor de varejo de alimentos ocorridas, em sua maioria, entre 2000 e 2001 as cinco maiores redes de supermercados no País não conseguiram roubar a fatia dos pequenos varejistas. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que, em 2000, as grandes redes detinham 40% do setor. No passado, o domínio caiu para 39,1%.
Para o consultor de São Paulo, Eugênio Foganholo, isso significa que as mudanças promovidas por essas empresas não estão satisfazendo os seus clientes, que aos poucos estão migrando para lojas de vizinhança. Ou seja, preço baixo não é suficiente para conquistar o consumidor. ''Preço é importante, mas não é um fator crítico. O consumidor hoje também busca conveniência, comodidade e praticidade nas suas compras. Daí a vantagem dos pequenos supermercados, que podem oferecer atendimento personalizado para os clientes'', acrescentou.
No Paraná, a participação das quatro grandes redes (Sonae, Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar) é ainda menor cerca de 30% a 35%, atualmente. O superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, explica que o dado é estimado com base no faturamento total do setor no Estado, que chega a R$ 6 bilhões por ano. Segundo ele, não há como ter um levantamento preciso, já que algumas empresas não divulgam seus balanços.
Rovaris acredita que as grandes redes que vieram para o Paraná criaram um diferencial, que todos tiveram que seguir. Isto é, as redes locais passaram a modernizar suas lojas, buscando novas tecnologias para não ficar para trás. ''O pequeno conseguiu se adaptar a essas mudanças e não deixou aumentar a participação dos grandes'', avaliou. Ele aposta numa profissionalização ainda maior do setor como resultado do aumento na concorrência. ''Basta ver os mercados que estão abrindo, que não perdem em nada para as grandes redes'', completou.
De acordo com Rovaris, os supermercados de pequeno e médio porte também não deixam a desejar em relação aos preços. ''Eles são bastante competitivos, principalmente, nos produtos básicos'', afirmou.
O fato de as grandes redes não terem conseguido tomar o lugar dos pequenos também é atribuído ao grande número de supermercados existentes. O Paraná, informou Rovaris, tem a segunda maior proporção de lojas uma para cada 4 mil habitantes. A tendência é que as pessoas procurem o supermercado que fica mais próximo de sua casa. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, existe uma loja para cada 9 mil pessoas.


