O ''boom'' do mercado dos calçados esportivos, com inúmeros modelos e marcas que chegam a confundir o consumidor, não deve ser encarado pelo lado negativo. A aparente complexidade trouxe, na realidade, muitos benefícios, segundo o médico Áureo Cinagawa, especialista em ortopedia e medicina do esporte. ''Nossos pés agradecem (a evolução da tecnologia) e não sentem saudades dos tempos dos antigos calçados'', diz.
Ele alerta, no entanto, que o consumidor não deve ser influenciado pelas promessas e ofertas que não correspondem às suas reais necessidades. O médico diz que muitas vezes um tênis mais caro e bonito, de marca famosa, não é melhor que outros menos conhecidos e de baixo custo.
Independentemente da modalidade esportiva, diz Cinagawa, o tênis deve proporcionar conforto e proteção, corresponder ao custo-benefício desejado e se adaptar às condições individuais do atleta quanto ao tipo do pé, condições atléticas, idade, sexo, peso, composição corporal, entre outros.
Ao escolher um tênis, o ortopedista sugere que o consumidor o avalie por partes. ''A primeira parte a ser considerada é a porção posterior. O contraforte deve ser firme e unificado à sola como um monobloco, para proporcionar estabilidade e evitar a deformação resistindo às flexibilidades do retropé e às variáveis do terreno'', diz.
Cinagawa explica que na parte anterior, a mobilidade deve ser adequada para permitir a movimentação, obedecendo a plasticidade natural do pé e permitindo a ação dos músculos e ligamentos.
''A sola rígida ou flexível deve exercer uma harmonia com a forma e a função do pé, de acordo com a exigência de cada esporte. No caso de corridas, o solado precisa absorver o impacto e proteger os pés, além de proporcionar um apoio confortável e permitir a propulsão, com equilíbrio'', esclarece o médico. A palmilha interna tem que se adaptar às curvaturas dos pés, resultando em um apoio uniforme.
Cinagawa pondera que a escolha inadequada do calçado esportivo pode trazer consequências como bolhas, ferimentos, dores, calosidades e deformidades. ''Uma boa análise clínica do médico ortopedista em relação ao tipo e formato do pé, o estudo da marcha e os exames complementares, quando necessário, darão subsídios para a escolha do tênis e para a prática esportiva'', afirma. (G.M.)

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