A ''crise da febre aftosa'' no Paraná não derrubou os preços da carne para os consumidores. Enquanto os pecuaristas estão recebendo o menor preço real pago pela arroba dos últimos 20 anos, o preço do quilo de alcatra, por exemplo, subiu quase 20% no varejo entre outubro e janeiro, segundo pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Em outubro, a arroba do boi chegou a R$ 60 e fechou esta semana cotada, em média, a R$ 46,32 no Estado.
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) as exportações também aumentaram 28%, ''apesar do embargo imposto por 56 países devido ao foco de febre aftosa''. O comércio externo passou de US$ 476 milhões em janeiro de 2005 para US$ 608 milhões no mês passado. Além disso, o Mapa afirma que houve uma elevação de preços no mercado internacional da carne bovina in natura (4,6%) e industrializada (42%).
Segundo o ministério, ''o aumento de vendas ocorreu porque os compradores suspenderam o comércio apenas das regiões afetadas por focos de aftosa'', ou seja, Paraná e Mato Grosso do Sul. No mercado internacional, o preço da carne congelada também acumula altas. Em 1996, o preço era de US$ 1.741 o valor unitário; no ano passado, a cotação estava em US$ 2.513, segundo dados da FAO. ''Isso demonstra que alguns faturam muito em benefício da perda de muitos'', afirmou o pecuarista José Antônio Fontes, durante visita à redação da Folha juntamente com criadores de gado de corte e veterinários.
Na sua opinião, ''alguém'' estaria financiando o foco de aftosa no Estado para lucrar em cima dos baixos preços pagos ao produtor. Segundo ele, o rebanho paranaense não atende o mercado interno e, inclusive, o Paraná ''importa'' carne de outros Estados.
Associação Para defender os interesses dos criadores de bovinos de corte, os pecuaristas da Região Norte do Estado irão criar uma associação que aceitará apenas criadores sem atividades ligadas com o comércio de gado, abate ou distribuição. A ABC Bovcorte (Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos de Corte) deverá ser fundada até o início da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, marcada para abril.
''Sentimos um abandono total da classe política, principalmente na esfera federal. Estamos sozinhos neste momento de maior dificuldade'', salienta Fontes. A ABC Bovcorte terá por objetivo participar das políticas de produção, comercialização, distribuição, rastreabilidade, identificação e certificação dos produtos da bovinocultura. A intenção ainda é influir nas leis que normatizam o abate.

mockup