Nem com preço menor, comprador aparece
A vergonha ante à sociedade e o medo dos credores são outros fatores que estimulam esse 'efeito manada' registrado pelas imobiliárias. O agricultor tradicional não busca exposição mesmo em épocas áureas. Acostumado à instabilidade da atividade, ele sabe que a vida é feita de altos e baixos e a autopromoção, às vezes, pode ser negativa.
João (nome fictício) e seus três irmãos dedicam-se ao gado, trigo, soja e milho, numa propriedade de 430 alqueires, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), há mais de 20 anos. As perdas acumuladas nas últimas três safras geraram uma dívida de R$ 1 milhão com bancos, cooperativas e terceiros. ''Não tenho coragem de pedir mais prazo a eles. São amigos antigos, com os quais trabalhamos constantemente. Eles não têm culpa desta crise'', alegou João, que colocou à venda 15 alqueires da fazenda, há mais de seis meses. Apesar do preço reduzido a menos da metade, até o momento ele não encontrou comprador. ''Antes dessa fase crítica, nosso alqueire valia R$ 70 mil. Hoje, ficaria satisfeito se alguém pagasse entre R$ 30 mil e R$ 40 mil'', completou.
O agropecuarista Gilberto Di Luca e o sócio também acreditam que a única solução para quitar os débitos é a venda da terra. Estes pretendem dispor de dois terços da fazenda que possuem na divisa de Londrina e Sertanópolis e cultivar eucalipto no restante da área. O dinheiro do negócio servirá também para investir nas propriedades que cada um mantém, individualmente, no Mato Grosso do Sul (MS).
''Já vendi carro, moto e imóveis para sair do vermelho e nada adiantou. Não quero anistia da dívida, mas acho que o prazo concedido pelos bancos deveria ser maior. Ao invés de quatro, poderiam oferecer 15 anos. Além do refinanciamento, os agricultores precisam que o governo garanta o preço da mercadoria, reduza os juros e interfira no câmbio'', sugere. (B.R.)





