O mercado não reagiu com entusiasmo às medidas adotadas pelo governo para enfrentar a fuga de capitais. A Bolsa de São Paulo exibiu uma valorização de até 5,02% na primeira hora de pregão, mas reverteu a alta, que coincidiu com o anúncio de corte de gastos públicos pelo ministro Pedro Malan, da Fazenda, e fechou com ligeira baixa de 0,33%.
A rodada de medidas para tentar estancar a revoada de capitais teve início na sexta-feira à noite com a elevação das taxas de juros, pela suspensão temporária da Taxa Básica do Banco Central (TBC) de 19%, que cede lugar à Taxa de Assistência aos Bancos (TBAN), de 29,75%, até 1º de outubro, e teve continuidade ontem, com o compromisso do governo de cortar os gastos públicos. Embora não tenha definido em que setores as despesas serão contidas, a promessa é de um superávit primário, descontados juros e correções monetária e cambial, de R$ 4 bilhões ainda na execução do orçamento deste ano.
A Bolsa de São Paulo esboçou uma reação na parte da tarde, depois de recuar mais de 2%, atribuída por alguns operadores às compras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O fato, porém, é que nem a forte aceleração da Bolsa de Nova York deu sustentação ao mercado doméstico. Animada cada vez mais com possível redução das taxas de juros nos títulos do Tesouro norte-americano, por iniciativa do Federal Reserve Board (Fed, o banco central dos EUA), a Bolsa nova-iorquina fechou o pregão com alta de 4,98% ou avanço de 380,53 pontos, recorde de valorização em número de pontos da história dessa Bolsa. Pela primeira vez desde agosto, a Bolsa de Nova York voltou acima de 8 mil pontos, para 8.020,78 pontos, pouco acima do nível de 7.908 pontos da virada do ano. A Bolsa do Rio fechou em alta de 0,62%.
Ainda que a previsão de corte nos juros norte-americanos se materialize, parece improvável que ela ocorra antes do dia 29, quando o assunto deve ser analisado pela reunião do Fed. De todo modo, a idéia de redução dos juros, que já havia influenciado positivamente os mercados de ações europeus na segunda-feira, voltou a estimular as Bolsas de Frankfurt, com alta de 3,66%, e de Paris, com avanço de 2,93%, ontem. A de Paris fechou com baixa residual de 0,10%. A maioria das Bolsas asiáticas também apurou alta nos pregões de ontem.
As taxas de juros domésticas avançaram forte tanto nos negócios à vista com nos contratos futuros. A frustração e a desconfiança com as medidas adotas pelo governo até agora ficaram estampadas também nos resultados do leilão de títulos públicos pelo Banco Central (BC) ontem.
Num deles, no de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), um título pós-fixado, o BC vendeu apenas 597.700 títulos dos 2 milhões ofertados. O motivo foi um prêmio, além da variação da taxa do overnight, pedido pelos bancos para ficar com os papéis. No outro, de títulos com correção cambial, o BC bancou juro máximo de 18,97% e médio de 17,99%, fora a correção cambial, considerados elevadíssimos pelo mercado. A aceleração dos juros nos leilões, ao elevar os custos de rolagem da dívida pública, tende a neutralizar os ganhos a ser supostamente obtidos com o corte de despesas anunciado ontem.Stan Honda/France PressePregão históricoBolsa de Nova York recuperou-se ontem: alta de 4,98% e avanço recorde de número de pontosAgência Estado

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