Nem abonos nem ganhos por participação nos lucros
O economista do Dieese Ilmar Ferreira diz que, nas últimas negociações, os trabalhadores não tiveram dificuldades em repor as perdas ocorridas entre as datas-base, por conta dos baixos índices de inflação. Mas ele é da opinião de que as negociações deverão endurecer daqui para a frente.
O motivo disso seria a impossibilidade de as empresas repassarem para os preços os reajustes concedidos por conta da recessão, provocada justamente pela queda do poder de compra dos assalariados. Ferreira diz também que os trabalhadores deverão encontrar dificuldades para obter ganhos de produtividade e abonos a título de participação nos lucros e resultados das empresa. A maioria das empresas não deverá atingir as metas fixadas nos acordos.
O aumento dos obstáculos para a reposição das perdas já tem sido enfrentado pela principal categoria com data-base este mês em São Paulo, a dos professores das escolas particulares.
A categoria reivindica a reposição das perdas com base na variação acumulada do INPC nos últimos 12 meses, de 3,05%, mais 3% de produtividade. Os donos das escolas não estão dispostos a conceder reajustes e ainda ameaçam cortar benefícios, como a garantia de estabilidade no emprego durante o semestre e a concessão de bolsas de estudos para os filhos dos professores.





