Nem 13º ajudou consumidor a quitar dívidas
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Ana Luísa Westphalen<br> Agência Estado 
São Paulo - O nível de inadimplência do consumidor brasileiro cresceu 8% em 2008, uma alta de 6,3 ponto porcentual em relação ao crescimento de 1,7% no número de contas sem pagamento em 2007. Segundo a Serasa, a modalidade de dívida mais recorrente foi a adquirida junto aos bancos, apontada por 43,2% dos inadimplentes. Em seguida estão as dívidas com cartões de crédito e financeiras, responsáveis por 33,7%, os cheques devolvidos (27,2%) e títulos protestados (2,6%). E, em dezembro, os números mostram que o 13º salário não foi suficiente para o consumidor resolver suas pendências, uma vez que a inadimplência no mês passado subiu 2,5% em relação a novembro.
Na avaliação do assessor econômico da entidade Carlos Henrique de Almeida, a diminuição da renda dos consumidores, afetada pela inflação nos itens básicos, influenciou a alta da inadimplência. Ele também destaca o aumento dos juros básicos da economia, a Selic, que subiu 2,5 pontos porcentuais no ano, e a elevação dos juros devido às incertezas causadas pela crise financeira mundial. ''Isso penalizou, principalmente, os consumidores assíduos na utilização do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito'', explicou.
A concessão de crédito mais conservadora e com prazos mais curtos no último trimestre de 2008, também foi outro fator citado pelo economista, porque atingiu os consumidores dependentes de crédito para pagarem dívidas já adquiridas.
Para o início de 2009, a tendência é de novos aumentos no nível de inadimplência. Isso porque o primeiro trimestre é marcado por contas sazonais como IPTU, IPVA, matrícula e material escolar.
O pagamento do 13º no fim do ano passado não foi suficiente para aliviar o nível de inadimplência do consumidor em dezembro. De acordo com a Serasa, o comportamento de alta é incomum nessa época do ano, quando grande parte dos brasileiros destina o benefício ao pagamento de dívidas. Em dezembro de 2007 a inadimplência havia caído 1,5% em relação a novembro do mesmo ano.


