Negócios tradicionais estão com os dias contados
Para palestrante do Lidere 2019, a tecnologia tornou a experimentação mais barata, levando a uma ‘enxurrada’ de novos negócios e à ruptura dos negócios tradicionais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Para palestrante do Lidere 2019, a tecnologia tornou a experimentação mais barata, levando a uma ‘enxurrada’ de novos negócios e à ruptura dos negócios tradicionais
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

Com as rápidas mudanças que estão acontecendo no mercado e o surgimento de novos tipos de negócios, quando a economia “clássica” retomar o crescimento, talvez os negócios tradicionais não existam mais. A fala é de Cristiano Kruel, Head of Innovation da StartSe (startse.com), empresa com operações no Brasil, Vale do Silício e China e que conecta e promove o ecossistema de inovação e empreendedorismo de startups no Brasil e no mundo.
Kruel foi um dos palestrantes do Lidere 2019, maior encontro empresarial da região, realizado pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), e que tem a FOLHA como parceira. Sua palestra fez parte da programação do RedFoot Open Innovation by Lidere desta quinta-feira (17), que teve como tema central a inovação aberta.
“Muitos empresários e executivos estão culpando a crise de curto prazo para algumas coisas, só que talvez a questão seja muito mais perigosa que isso. Mesmo que a economia clássica retorne, talvez quando ele (o empresário) se der conta disso, o negócio dele não exista mais por causa das transformações absurdas que estão acontecendo”, disse Kruel.
Para ele, existem três rotores por trás dessas transformações. O primeiro é a tecnologia. “As tecnologias são cada vez mais incríveis e mais baratas. Ao mesmo tempo, criaram um efeito muito interessante no mercado: a abundância de conhecimento. Quer aprender alguma coisa? Vai na universidade do mundo, o youtube.com. Quando a tecnologia gira, ela começa a modificar mercados, padrões de consumo, comportamentos de consumidores.”
A tecnologia, por sua vez, torna mais barata a experimentação e impulsiona o segundo rotor, que é o mercado. Assim, novas empresas começam a surgir para disputar o “tabuleiro dos negócios” e a causar a ruptura dos negócios tradicionais. “A experimentação de novos negócios nunca foi tão barata, logo, nunca vimos tanta tentativa de criar um negócio novo.”
O terceiro rotor é a gestão. “Quando roda a roda da tecnologia, quando roda a roda dos mercados, tem que rodar a terceira roda, que é a da gestão: como é que vamos gerir empresas daqui para frente nessa nova dinâmica? Gestão para mim é a maior de todas as tecnologias. É a capacidade de nós, humanos, nos organizarmos”, salienta o head da Startse.
Inovação aberta
Quando uma empresa trabalha apenas com as suas operações internas, ela se fecha para um “mar de possibilidades”, observa Rodrigo de Barros, facilitador e consultor em Criatividade para Inovação. Para ele, a inovação aberta é uma forma de “oxigenação criativa” da organização. “Assim como uma pessoa precisa ter experiencias além da sua rotina para ser criativo, uma empresa precisa ir além da sua rotina para ser mais criativo. A inovação aberta se justifica por uma questão de criatividade.”
Por outro lado, o excesso de cobrança por inovação pode “matar” a criatividade. “Ninguém trabalha melhor sob pressão. Só mais rápido”, observou Barros, durante sua palestra no RedFoot Open Innovation by Lidere.
Esse ambiente de inovação aberta é o que a comunidade de startups RedFoot tem buscado fomentar em Londrina através de eventos como os meetups. Nesses encontros, a comunidade convida empresários para compartilharem suas dores. “A galera jovem vai e tenta de alguma forma desenvolver ideias para solucionar as dores desse pessoal”, explica Francielle Oliveira, integrante da RedFoot.
Oliveira faz parte de uma startup de fidelização de clientes, o Seja Fã, vencedora da última edição do Startup Weekend de Apucarana. Em um desses meetups da RedFoot, ela viu que a dor de uma grande empresa do varejo de Londrina era justamente fidelizar seus clientes. Como resultado, em breve a startup participará de uma reunião com essa empresa, em que terá a oportunidade de apresentar o protótipo de sua ferramenta, com grandes chances de fazer negócio. “E isso já acontece com outras startups”, destaca a empreendedora.
A Acil, como entidade que congrega quase 3 mil empresas de Londrina, se propõe a levar o tema da inovação às organizações, diz Rodrigo Geara, superintendente da Acil. “Nosso papel é ser um caminho para levar a inovação às empresas que representamos.” O Lidere, que leva aos empresários informações relevantes e atuais aos empresários, é um exemplo de como a Associação está fazendo isso. Segundo Geara, a entidade também promove a abertura de diálogo com startups, fazendo o encontro das dores do varejo com as soluções desenvolvidas por essas empresas inovadoras.
ACIL PAY
Durante o RedFoot Open Innovation by Lidere, a Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) lançou o seu aplicativo de pagamento, o Acil Pay. O app será divulgado entre os empresários pelos próximos meses e depois será disponibilizado para download para os consumidores. A ferramenta tem o objetivo de oferecer a empresários e consumidores um meio de pagamento mais seguro, com menos custos e mais vantagens.
Para o consumidor, a principal vantagem é não precisar carregar o cartão de crédito ou dinheiro. Basta abrir o aplicativo, digitar o valor da compra e ler o QR Code do estabelecimento para efetuar o pagamento. Os cartões de crédito do usuário ficam cadastrados no app, e o consumidor também tem a possibilidade de adicionar dinheiro na carteira virtual por meio de boleto ou de transferência de uma carteira para a outra. Também estão previstos para o Acil Pay programas de pontos, cashback e cupons para o cliente.
Para o vendedor, as vantagens são menores taxas, que a Associação está negociando com as operadoras de pagamento. Para pagamentos diretos, a estimativa é que os custos das operações sejam 1% menores para o varejista.
Na visão de Rodrigo Geara, superintendente da Acil, o lançamento de um aplicativo de pagamento da Associação tem o potencial de desmistificar a inovação para os empresários. “O caminho fica mais curto quando a Acil leva a inovação para ele.”


