São Paulo - O aumento recente nos preços das commodities e a perspectiva de aumento da população mundial têm gerado temores quanto à segurança alimentar para as próximas décadas. Um estudo recente produzido pelo Rabobank, banco de origem holandesa fortemente ligado ao setor agroindustrial, traz uma boa análise sobre os dilemas e os desafios para alimentar nove bilhões de pessoas de forma sustentável.
A principal conclusão ressaltada pelo estudo é que, teoricamente, há recursos naturais e tecnologia suficientes para garantir a produção de alimentos nas próximas décadas, mas isso só acontecerá se houver mudanças radicais em toda a cadeia agroindustrial. Para alimentar ''bem'' a crescente população - estima-se que serão nove bilhões de pessoas em 2050 -, será necessário aumentar a atual produção agropecuária em 70%.
Para que isso aconteça sem destruir grandes porções de ecossistemas preservados e sem ocorrer momentos de escassez, é preciso: 1) aumentar a coordenação entre as cadeias de produção locais e globais; 2) incorporar o valor da natureza nos custos de produção dos alimentos; 3) melhorar as regras e a sinalização de preços no sistema de comercialização de commodities; 4) investir grandes volumes de recursos no desenvolvimento da agricultura em especial nos países em desenvolvimento; 5) promover a mudança no atual padrão de consumo para um padrão mais sustentável.
Embora alcançar os desafios acima seja uma tarefa complexa, esse cenário mais sustentável pode gerar grandes oportunidades de negócios para as empresas líderes, diz o Rabobank. O relatório ressalta que as mudanças necessárias para melhorar a sustentabilidade do setor de alimentos deverão alterar os modelos de produção e comercialização e, consequentemente, a posição competitiva das empresas nas cadeias globais do agronegócio. Uma das tendências será a valoração dos recursos naturais cada vez mais escassos nos balanços das empresas. O banco destaca a oportunidade de as companhias assumirem a liderança nessas transformações e lembra que caberá aos governos criar as condições e as regulamentações que permitam uma cadeia de produção mais sustentável no longo prazo.
Para ficar de olho
- Liderança para a sustentabilidade - As subsidiárias inglesas e irlandesas da multinacional da alimentação PepsiCo já captaram a mensagem do relatório do Rabobank. Elas acabam de anunciar uma estratégia de sustentabilidade para a sua cadeia de fornecimento agrícola. Com foco em 350 fazendeiros fornecedores para a empresa nesses dois países, a PepsiCo vai apoiar a mudança no sistema de produção no campo com o objetivo principal de reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa e o uso da água nas propriedades rurais. As estratégias vão variar de apoio financeiro para que os fazendeiros adotem energias renováveis até o apoio a pesquisas para o desenvolvimento de novas variedades de batata que sejam mais produtivas e poupadoras de recursos naturais (como a necessidade de menor irrigação).
- Economia de água - E por falar em aprimorar o uso dos recursos naturais, em especial, a água, uma ferramenta disponível na internet serve como um excelente guia para analisar o gasto e o potencial de economia na cadeia de alimentos, desde a horta até o supermercado. Veja em www.igd.com/waterguide.
* FÁTIMA C. CARDOSO é jornalista, com Pós-Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

mockup