São Paulo - Os negócios de produção de biodiesel em condições de operação em curto prazo são de pequena escala, para atendimento às demandas regionais. A obrigatoriedade da mistura coloca no horizonte negócios mais robustos, que exigirão fábricas com capacidades superiores a cerca de 50 milhões de litros por ano.
A Dedini S/A Indústrias de Base, empresa que deverá faturar este ano R$ 550 milhões, tem à mão um acordo comercial com a italiana Balestra exatamente para quando a demanda por biodiesel chegar a casa da centena de milhões de litros. O negócio prevê o uso da tecnologia de produção de biodiesel continuada com uma alteração tecnológica para a rota etílica (uso do etanol) e não metílica (uso do metanol), como na Europa.
As unidades em operação atualmente produzem biodiesel por batelada e são dimensionadas para volumes anuais de 8 milhões de litros de biodiesel. ''Um programa para valer demandará unidades de biodiesel capazes de produzir 50 milhões a 100 milhões de litros por ano. E para isso estamos falando de seis ou sete encomendas'', diz o otimista Tarcísio Ângelo Mascarim, presidente corporativo da Dedini.
Na configuração atual de 8 milhões de litros, haveria necessidade de 100 unidades, diz. ''Não deixa de ser um mercado, mas não acho que a viabilização do biodiesel como combustível ocorrerá com uma base industrial dessas dimensões'', diz. A empresa prepara uma unidade piloto para o setor sucroalcooleiro que deve funcionar a partir de abril do próximo ano. A fábrica funcionará numa usina de açúcar e álcool de Piracicaba (SP), cujo nome não foi revelado. A idéia é oferecer uma unidade para processar soja ou outros tipos de oleaginosas na entressafra da cana.
A Dedini fechou ainda um contrato para fornecer uma unidade nova, com capacidade anual de 8 milhões de litros, para a Agropalma, do Pará. A unidade aproveitará o resíduo refinado do óleo de palma para produzir o 'palmdiesel'. A empresa também fechou um acordo estratégico com a Ecomat, uma empresa que controla oito usinas de açúcar e álcool no Estado de Mato Grosso. Lá, o objetivo é promover a atualização tecnológica da unidade, que opera há quatro anos. ''O objetivo é melhorar a qualidade do combustível e aprimorar o processo industrial'', diz Sílvio Rangel, diretor-administrativo-financeiro da Ecomat. (AE)

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