O executivo francês Philippe Cacue sempre se hospeda em Curitiba uma semana a cada mês. Cacue é funcionário do Grupo Treves, e um dos responsáveis pela instalação da unidade do grupo em São José dos Pinhais que vai fornecer peças para a montadora Renault. O executivo francês vai continuar visitando Curitiba mensalmente até janeiro de 1999, e sem saber, é um dos responsáveis diretos pelo crescimento de 35% na taxa de ocupação dos hotéis da capital.
Mauro FrassonNovo perfilHernán Saucedo, gerente de hospedagem do Grande Hotel Rayon: ‘‘As exigências dos executivos são diferentes dos turistas. Por isso, melhoramos a área de escritório dos apartamentos e criamos serviço de atendimento 24 horas’’Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Curitiba, João Maria Camargo Ferreira, a taxa média de ocupação dos hotéis vem crescendo anualmente principalmente por causa dessas pessoas que viajam a trabalho, que fazem parte do turismo de negócios e de eventos. Ferreira conta que os números são animadores passando de 40% em 1996 para 75% esse ano e aponta como maior responsável por esse crescimento a instalação das montadoras de automóveis na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo Ferreira, esse novo mercado está fazendo os investimentos realizados no turismo de negócios e de eventos crescerem. ‘‘Vivemos um momento que não é ruim, em que o movimento está estabilizado, onde o turismo de negócios e de eventos é o grande filão’’, comemora.
Para Ferreira, outro fator que vem ajudando a melhorar a ocupação dos hotéis são os investimentos em propaganda institucional da cidade e do Estado. Ele reclama, porém, da falta de um centro de convenções de grande porte que poderia impulsionar ainda mais o segmento. ‘‘Não temos hotéis de grandes redes internacionais em Curitiba porque ainda não temos essa estrutura’’.
Atualmente o setor oferece em Curitiba 4 mil vagas, empregando 3,5 mil pessoas. Segundo Ferreira, a rentabilidade média do setor está em torno de 15%. Na Região Metropolitana de Curitiba existem aproximadamente 10 mil leitos.
O crescimento do mercado também está sendo comemorado pelo gerente de hospedagem do Grand Hotel Rayon, Hernán Saucedo. Há dois anos em Curitiba, Saucedo assistiu à ocupação anual do Grand Hotel Rayon saltar de 50% em 1996 para 70% em 1998. ‘‘O mercado está em crescimento e deve continuar assim’’, prevê.
Saucedo conta que percebeu que o mercado curitibano passava por uma transformação, e foi adequando o hotel ao novo perfil dos hóspedes. ‘‘As exigências dos executivos são diferentes dos turistas e tivemos que nos adaptar, fazendo coisas simples como instalar chuveiros maiores, melhorar a área de escritório dos apartamentos e criar um serviço de atendimento 24 horas personalizado, que fazem o diferencial’’.

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