Negócios com a China ainda podem melhorar
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sábado, 06 de novembro de 2004
Patrícia Campos Melo<br> Agência Estado 
Brasília - Muitas empresas brasileiras não têm do que reclamar - seus negócios com a China vão de vento em popa. Mas não existe mais aquele deslumbramento com o mercado chinês. Desde a missão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na China, em maio, alguns empresários estão encarando com uma dose maior de realismo as relações com o gigante asiático. Trata-se de um mercado com possibilidades monumentais. Mas há obstáculos.
''A relação com a China ficou mais pragmática desde o incidente da soja contaminada'', diz Renato Amorim, secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, referindo-se à devolução, pela China, de navios carregados com sementes de soja brasileira contaminada com agrotóxicos, em maio.
Na visita do presidente da China, Hu Jintao, ao País, na próxima semana, os brasileiros devem apresentar uma série de reivindicações para tornar as relações bilaterais mais fluidas. A abertura do mercado chinês para a carne bovina brasileira está empacada, mas a China pode autorizar já nesta visita a importação de frango do Brasil. Muitos empresários brasileiros querem reforçar a defesa da propriedade intelectual na China. A Embraco, por exemplo, está na China desde 1995.
Segundo Johnny Richter, diretor de operações da Embraco, a empresa está muito bem adaptada ao mercado chinês. Tanto que vai investir para ampliar a capacidade da fábrica, dos atuais 2,2 milhões de compressores por ano para 4 milhões. Mas a negligência da propriedade intelectual já causou contratempos. Um dos fornecedores da Embraco copiou os compressores da empresa e passou os desenhos para o concorrente chinês da fábrica brasileira. ''O problema foi resolvido, mas é preciso ter cuidado.''
Outras empresas vão pedir melhor regulamentação em vários setores. A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) está instalada na cidade chinesa de Xangai. Aguarda apenas que o governo chinês autorize as tradings do país a comprar contratos futuros de soja na bolsa. ''Os chineses teriam garantias da BM&F'', diz Manoel Felix Cintra Neto, presidente da BM&F.
A Embraer, que tem uma joint venture na China, vendeu sete aviões no país. Esse volume poderia crescer se houvesse uma melhor regulamentação das rotas de curta distância no país. ''Precisamos aumentar nossos fluxos de comércio com a China e lutar para preservar os direitos da empresas no país.'', diz Fábio Barbosa, diretor-executivo de Finanças da Companhia Vale do Rio Doce. A Vale fornece 20% do ferro comprado pela China. Nos primeiros nove meses deste ano, a empresa vendeu 30 milhões de toneladas de ferro para o país.


