Genebra - O Brasil poderá se beneficiar com a guerra comercial que se acirra entre os Estados Unidos e a União Européia (UE). Bruxelas anunciou na semana passada que, a partir de março de 2004, estabelecerá sanções aos produtos norte-americanos diante da política de Washington de dar subsídios às empresas locais que atuam no exterior. A decisão que será tomada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) hoje sobre a legalidade das barreiras ao aço impostas pela Casa Branca poderá abrir o caminho para que os europeus aumentem ainda mais o valor das sanções, que já chega a US$ 200 milhões.
No caso do Brasil, o benefício poderia ocorrer por causa das tarifas que os produtos americanos irão pagar para entrar no mercado europeu. As sanções são traduzidas em um aumento de impostos, o que tornaria cerca de 95 bens vendidos pelos Estados Unidos menos competitivos, entre eles carnes, algodão, calçados e frutas.
Mas segundo o Itamaraty, os exportadores brasileiros de têxteis são os que têm mais chances de se beneficiar caso aproveitem a oportunidade e ocupem os espaços que até agora são preenchidos pelos produtos americanos. No ano passado, o Brasil conseguiu arrancar um acordo com os europeus que elimina qualquer tipo de cota aos têxteis. Os exportadores nacionais, portanto, apenas enfrentam uma tarifa na UE que é igual para todos os produtores.
A aposta do governo no setor também ocorre diante do bom desempenho exportador dos produtores de têxteis. Entre janeiro e agosto deste ano, as vendas aos mercados estrangeiros acumularam US$ 992,5 milhões. O valor foi mais de 30% superior ao registrado no mesmo período de 2002 e pelo menos um terço tiveram a Europa como destino final. Para o Itamaraty, se o setor adotar uma estratégia ofensiva que possa ocupar o espaço que será deixado pelos produtos norte-americanos, o crescimento poderá ser significativo também em 2004.

mockup