No País, estimativas apontam que as corridas de rua movimentam mais de R$ 110 milhões anuais com inscrições e cotas de patrocínio
No País, estimativas apontam que as corridas de rua movimentam mais de R$ 110 milhões anuais com inscrições e cotas de patrocínio | Foto: Roberto Custódio/10-12-2017



As corridas de rua movimentam cifras milionárias por ano. A estimativa é que ultrapasse os R$ 110 milhões anuais com inscrições e cotas de patrocínio. O mercado avança com fôlego de maratonista e atrai multidões às ruas. A maratona Pão de Açúcar de Revezamento, realizada em São Paulo, por exemplo, ultrapassa os 10 mil inscritos.

Com esse crescente interesse pelas corridas, as empresas estão despertando para as oportunidades de marketing e fortalecimento de marcas. O setor também movimenta uma grande cadeia de fornecedores de medalhas, camisetas, bandanas, viseiras, brindes, som, iluminação, chips de controle, alimentação, shows, assessorias de corridas, hotéis, restaurantes.

"É um esporte barato comparado com outras modalidades. Nos últimos 20 anos o mercado cresceu muito. São Paulo tem três ou quatro corridas por fim de semana. É um mercado que já está superlotado", analisou a professora Clarisse Seyton, especialista em Marketing Esportivo da ESPM.

Na região de Londrina só a Capa Eventos realiza em média 20 corridas por ano. Os planos da empresa é expandir para o Estado. De acordo com o sócio-diretor da empresa, Guilherme Paolielo Piazzalunga, o investimento nas provas variam de R$ 30 mil a R$ 120 mil, mas afirmou que existem provas maiores em capitais com aporte de mais de R$ 1 milhão. "O mercado de corrida cresce a cada ano. Iniciamos com duas corridas no ano e em 2018 chegaremos a quase 20", enfatizou Paolielo.

As corridas também despontam como nicho de turismo. Já existem agências especializadas em excursões para provas ao redor do mundo. "Você pode conhecer o mundo todo correndo", afirmou a professora.

Ela acredita que o setor manterá o crescimento, mas deve reduzir um pouco o ritmo, em função da oferta de corridas. "A oferta está agressiva e o corredor está perdido", afirmou. Por outro lado, a cadeia ligada ao mercado está na direção certa. A linha de calçados e roupas esportivas acompanha as inovações tecnológicas dos materiais.

Mas para a especialista, o Brasil ainda precisa progredir na agregação de eventos paralelos às provas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a corrida traz junto feiras de produtos e serviços. "Cria-se todo um evento em volta da corrida. Nesse aspecto precisamos evoluir", comentou.

CRITIVIDADE

O boom de provas forçou os promotores de eventos esportivos serem criativos para conseguirem cruzar a linha de chegada. Como fazer o corredor se inscrever nessa ou naquela prova? A resposta vem em forma de investimento em kits sofisticados, brindes inovadores, camisetas com alta tecnologia e uma série de produtos e eventos agregados.

"Não basta mais dar a camiseta e ir para casa. As corridas viraram um grande mercado com uma série de produtos à disposição. Para serem competitivas, as empresas precisam de criatividade", destacou a especialista.

A lista de tipos de provas é longa como uma meia-maratona. Tem corrida de 5km, 10km, 15km, de revezamento, de resistência, com ou sem subida, fantasiado de personagem em quadrinho, com o pet, noturna, feminina, masculina e por aí vai.

A R80 Eventos Esportivos promove todos os anos a Rissiê Run for Woman em Londrina e procura mudar a plataforma do evento a cada edição. São mais de oito meses de preparação para o evento. Além do nicho feminino, a promotora também investe em provas noturnas e testou, em maio, o modelo de prova de revezamento de 80km.

"É um projeto legal que já tínhamos em mente focado nos pontos turísticos da cidade. A largada será no aterro e os corredores vão passar pela UEL, Jardim Botânico, Parque Arthur Thomas, Catedral em um revezamento de 80km", contou Richards Moura, diretor da R80 Eventos Esportivos.

Empresas associam a marca ao evento

As provas de rua são um filão para os departamentos de marketing, que descobriram as vantagens de associar a marca com o evento. As possibilidades de patrocínios são variadas, desde colocar a marca nas camisetas e em faixas da largada, como ser o nome da prova. Mas para a professora Clarisse Seyton, especialista em Marketing Esportivo da ESPM, esse investimento só faz a diferença para a empresa patrocinadora quando ela transforma isso em patrocínio ativado, ou seja, cria programas para engajamento do seu cliente com o universo da corrida.
"O segredo não é só patrocinar e dar nome ao evento, mas fazer a ativação para aproximar-se de seu público-alvo. Por exemplo, em São Paulo teve uma corrida voltada para os dentistas e com o evento pôde-se falar de negócios. Houve aproximação das empresas do segmento com os profissionais", exemplificou.
O diretor da R80 Eventos Esportivos, Richards Moura, percebe interesse das empresas e prefeitura para colocar o nome nas provas. "Hoje, fazemos questão da prova ter o nome da empresa. Entendemos que é uma troca, pois o investimento dela é alto. No caso da Rissiê – nome da prova feminina - , por exemplo, a empresa coloca cerca de 50 funcionários para trabalhar e também contrata outros profissionais como arquitetos para montar o seu espaço", disse.

FORNECEDORES

As promotoras de eventos esportivos de Londrina dão prioridade aos fornecedores locais, mas relatam dificuldades na compra de alguns itens. "Existem produtos ou serviços que há certa dificuldade de encontrar de boa qualidade e preço em Londrina", afirmou Guilherme Paolielo Piazzalunga, sócio-diretor da Capa Eventos.
O preço também é decisivo para o diretor da R80. Ele costuma encomendar as medalhas de um fornecedor de fora. "As camisetas, garrafinhas, viseiras e outros produtos procuramos privilegiar das empresas da cidade", disse Moura.
As medalhas para corrida de rua representam 30% da produção da K2 Troféus e Medalhas, de Wenceslau Braz (Norte Pioneiro). A empresa produz em média 30 mil peças/mês. "Percebemos um crescimento nos pedidos nos últimos dois ou três anos. É o esporte do momento e os clientes querem modelos exclusivos e personalizados", contou Francisco Matias Klosienski, diretor da empresa. Para atender o aumento na produção, o quadro de funcionário foi ampliado em 20%.

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