Há mais de seis meses o Congresso brasileiro não discute outra coisa a não ser a corrupção, mensalão, caixa 2, nepotismo e outros assuntos correlatos. Não há dúvida que são assuntos importantes e que precisam ser esclarecidos e os culpados punidos o mais rápido possível. Porém, toda essa confusão e o momento político que o país atravessa estão atrapalhando a economia, pois muitos projetos que interessam às empresas estão parados no Congresso.
Entre eles está a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas que deveria entrar na pauta de votação durante o período de convocação extraordinária do Congresso. A convocação terminou no último dia 14 e a Lei, mais uma vez, foi deixada de lado e não foi apreciada pelos parlamentares. Esse atraso significa um enorme prejuízo para o setor produtivo. Segundo cálculos do relator do projeto, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), mais de 90% das empresas brasileiras seriam beneficiadas com a Lei Geral.
Um dos principais pontos do projeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas é a criação do Simples Nacional, que reúne em um só tributo nove impostos e contribuições das três esferas de governo, incluindo a Previdência Social. Além de menos burocracia, a adesão ao sistema garante às empresas uma carga tributária menor.
''No ano passado a nossa economia teve um crescimento pífio. Não chegou a 3%. Entre os países emergentes nós estamos na rabeira. Perdemos para quase todos os países da América Latina. Mas o que percebemos é que, no Brasil, os problemas da economia não estão na economia. Parece contraditório, mas é uma realidade. A maior parte dos problemas da nossa economia decorre da eterna confusão política em que vivemos. Isso afeta muito o desempenho econômico'', analisa o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro.
No ano passado, logo depois de estourada a crise do mensalão, denunciada pelo ex-deputado Roberto Jéferson (PTB-RJ), uma pesquisa da escola de negócios Mercatus, revelou que quase 90% das companhias declararam que o cenário político influenciava o seu dia-a-dia. Desse total, 61% informaram que se sentiam muito afetadas e 26% pouco afetadas. Apenas 13% declararam que as turbulências políticas não afetavam os negócios.
''Esses atrasos em votações importantes afetam diretamente a economia. Os empresários nunca sabem o que irá acontecer na semana seguinte. Como é possível planejar investimento, ampliar a produção, se vivemos quase numa situação de desordem econômica, num salve-se quem puder?'', comenta Ribeiro. Segundo ele, as coisas não precisariam ser assim se os políticos priorizassem as votações importantes e não apenas aquelas que dão mídia para o parlamentar. ''Quando é o interesse deles, os projetos são votados mais rápidos do que carro de Fórmula 1. Mas o que esperar de um país onde alguns magistrados empregam seus parentes, os prefeitos se elegem mas se escondem e na assumem a função de governar suas cidades, de parlamentares movidos a mensalão e de um presidente que nada sabe?'', questiona Ribeiro.

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