Curitiba - A segmentação de mercado - oferecer um tipo de produto específico para um público consumidor - é uma tendência cada vez maior no comércio varejista. No entanto, ter um negócio como esse exige uma série de cuidados antes de abrir as portas e metas constantes para não perder o foco.
Segundo o consultor e professor da Universidade Livre do Comércio da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcio Tadeu Aurelio, o primeiro passo é fazer uma análise de mercado para verificar se o negócio é promissor. Depois disso, é preciso verificar se é um mercado durável e não um modismo passageiro. Avaliar a vulnerabilidade, como dependência de terceiros, falta de experiência no segmento e falta de cadeia de fornecedores, também é essencial.
''O futuro do varejo é trabalhar com a segmentação'', declara. Conforme ele, muitos estabelecimentos têm se enquadrado em grandes redes de franquias ou em um nicho específico. A segmentação, segundo Aurelio, também exige um marketing diferenciado. O lojista que escolhe a segmentação precisa saber se comunicar bem com o consumidor final. ''O consumidor precisa saber que a loja existe'', destaca.
O comércio específico, de acordo com o consultor da ACP, exige boa localização, layout e ambiente atraente e um plano de negócios que deve ser realizado antes de montar a empresa. Este plano vai apontar o que o varejista tem como metas para os próximos cinco ou dez anos, como possíveis expansões, por exemplo. Assim, é possível visualizar a empresa com objetivos e metas. ''O plano de negócios pode reduzir em 60% a mortalidade das empresas'', calcula. Sob este aspecto também são analisadas a concorrência e o mercado.
A consultora do Sebrae-PR Walderis Bello também concorda que o negócio especializado exige peculiaridade na comunicação. Segundo ela, há demanda para isso, mas o lojista precisa comunicar para o público que o negócio existe. ''Tenho que dizer para o público que sou especializada em determinada área'', ensinou. Além disso, ela recomenda trabalhar com qualidade e especialidade.
Para ela, os erros mais comuns são achar que o retorno do investimento é rápido, como acontece com estabelecimentos multisetoriais. Conforme Walderis, o negócio segmentado exige muito investimento.
Outro ''pecado'' seria tentar transformar um estabelecimento com produtos específicos em multisetorial. ''Desta forma, o lojista não atende nem o público especializado, nem o multisetorial, perde a sua característica e vai perdendo fôlego'', destaca.
Um aspecto que ela também considera ruim é não cuidar da qualidade e deixar de lado a agregação de valor. Ainda é necessário estabelecer um plano de fidelização com o cliente para estar sempre presente na memória do consumidor com promoções, novidades e lançamentos. ''É preciso estimular o retorno na loja para o cliente consumir outros produtos'', arremata.

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