A notícia da venda do HSBC para o Bradesco foi recebida com apreensão em Curitiba, onde fica a sede do banco inglês no Brasil. O principal temor do Sindicato dos Bancários da Grande Curitiba é em relação aos empregos. Ontem, cerca de 350 funcionários fizeram um protesto contra a venda em frente à sede do Palácio Avenida, no centro da capital.
O presidente do sindicato da categoria, Elias Jordão, disse que entre os funcionários há os que estão ansiosos e desanimados e os que acreditam que poderão manter o emprego mesmo com a venda do banco. Para ele, não estão ameaçadas apenas as 21 mil vagas dos trabalhadores do HSBC no País, mas os 80 mil funcionários do Bradesco, que também correm o risco de serem demitidos.
Hoje, o sindicato tem uma reunião com representantes dos dois bancos no escritório central do HSBC em São Paulo para tratar da compra do banco. "Queremos uma resposta para a questão dos empregos", disse. No Paraná, o HSBC emprega hoje 9 mil funcionários, sendo 7.500 em Curitiba e Região Metropolitana. Só em Curitiba, são 5.500 trabalhadores nos centros administrativos.
Jordão lembrou que, quando o HSBC comprou o Bamerindus, o banco tinha cerca de 36 mil funcionários diretos. O Bamerindus era um dos maiores bancos do País até o fim dos anos 1990, tinha mais de 3 milhões de clientes e 1,2 mil agências. A instituição foi uma das que enfrentaram problemas financeiros após a estabilização da moeda brasileira alcançada com o Plano Real. O Bamerindus sofreu intervenção do Banco Central e posteriormente o controle acionário foi transferido para o HSBC em 1997.

Impactos

A Prefeitura de Curitiba também vai sofrer os impactos da venda. Neste semana, a diretoria do Bradesco deve vir a Curitiba para uma reunião com o prefeito Gustavo Fruet. No último ano, o HSBC gerou uma receita de R$ 84 milhões para a prefeitura em ISS (Imposto sobre Serviços). Segundo informações da prefeitura, a previsão é que ocorra um recuo na arrecadação de R$ 40 milhões.
O professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Magno Bittencourt, acredita que o comércio local, principalmente ao redor dos centros administrativos do HSBC deva ter queda de vendas, especialmente nas áreas de restaurantes, vestuário e postos de combustíveis.
Ele disse que com a venda, agora a concentração de bancos no País fica ainda mais evidente. Segundo ele, hoje mais de 80% dos bancos que atuam no Brasil estão concentrados entre Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e HSBC. O economista acredita que os cortes de funcionários comecem pelos centros administrativos. Mas, não descarta que também ocorram demissões no Bradesco até para aproveitar talentos do HSBC.

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