Negócio calculado: antes de empreender, é preciso planejar
Contratar uma consultoria antes de abrir a empresa é ideal. Mas quem não tem condições, vai encontrar farto material de apoio na internet
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segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Contratar uma consultoria antes de abrir a empresa é ideal. Mas quem não tem condições, vai encontrar farto material de apoio na internet
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Em casa de ferreiro, nem sempre o espeto é de madeira. O planejador financeiro Fernando Queiroz, 42 anos, contraria o velho ditado popular. Ele mantém suas contas organizadas desde adolescente. Bancário até 2017, Queiroz levou dez anos se preparando para alçar voo próprio. Não tinha como não dar certo. “Defini que aos 40 anos eu sairia do banco.”
Pesquisa do Sebrae-SP feita em 2014 mostra que a principal justificativa dada por pessoas que não tiveram sucesso em seus negócios foi “falta de capital/lucro”. Essa foi a resposta de 19% dos pesquisados. Em segundo lugar, 14% responderam que “encontraram outra atividade”; 9% disseram que “faltaram clientes”; e 8% alegaram “problemas de planejamento”.
Na verdade, um planejamento adequado antes de abrir a empresa seria capaz de prever todos esses fatores. “A primeira pergunta que o empreendedor deve fazer para ele mesmo é: 'Eu tenho afinidade com o negócio?'. Depois: 'como terei acesso ao capital?' 'Quem serão os futuros clientes, onde eles estão?' 'Qual a oferta e demanda pela mercadoria ou serviço que vou oferecer?'”, explica a consultora do Sebrae em Londrina Liciana Pedroso.
Contratar uma consultoria antes de abrir a empresa é ideal. Mas quem não tem condições para tanto vai encontrar farto material de apoio na internet, segundo ela. “Tem de fazer um planejamento, colocar no papel como vai estruturar o negócio, quanto vai investir, quanto precisa para arcar com os custos menSais até que essa empresa passe a dar lucro e retorno”, diz Luciana. “Não dá para tirar da empresa em seu início o que ela não tem condições de dar”, complementa.
A consultora sugere aos empreendedores consultarem o site do Sebrae, no qual será possível encontrar publicações como planos e ideias de negócio, sobre tendências, entre outras ferramentas gratuitas.
Liciana explica que uma empresa precisa ser planejada em três pilares: estrutura do negócio, estrutura de mercadoria e estrutura financeira. “É um tripé que precisa ser muito bem estudado”, conta.
E a pressa na hora de empreender é inimiga da perfeição. “Não existe negócio simples. Antes de abrir uma padaria, tem de analisar se o local é o certo, se há mão de obra adequada, saber fazer o pão, ter habilidade para venda, ente outras coisas”, enumera.
Um bom planejamento, de acordo com ela, auxilia na tomada de decisões e deveria fazer parte da rotina dos empresários. “É preciso colocar tudo no papel.”
PREPARAÇÃO
Quando decidiu que teria seu próprio negócio aos 40 anos de idade, a primeira providência tomada pelo planejador financeiro Fernando Queiroz foi começar a guardar dinheiro. Ele já poupava com dois objetivos: garantir educação das filhas até o ensino superior e ter um futuro tranquilo e seguro . “Passei a investir também pensando no negócio próprio. No começo, poupava de forma macro. Depois passei a separar os três investimentos”, conta.
Queiroz tinha como meta guardar dinheiro suficiente para viver um ano sem nenhuma renda. Não foi necessário tanto tempo. “Fui bastante conservador”, admite. Bem antes dos 12 meses, já estava vivendo do seu novo trabalho.
Outra providência tomada pelo planejador foi investir em sua capacitação. “Passei a fazer cursos desde que decidi ter o meu negócio. E intensifiquei a formação na reta final (nos seus últimos anos como bancário).” O processo durou dez anos.
O planejador lembra de ter feito os primeiros investimentos aos 17 anos, quando obteve seu primeiro emprego. “Comecei guardando um pouco e fui aumentando ao longo do tempo”. Ele garante que, em todo esses anos, não deixou de lado os prazeres da vida, como ir a restaurantes e viajar.
Questionado se disciplina financeiro está no DNA, ele diz que não. “Nunca me faltou nada essencial. Meus pais foram muito bons para mim, não não eram bons exemplos na questão das finanças. Foi justamente vendo como eles lidavam com o dinheiro que eu quis fazer diferente.”
Queiroz é casado com Juliana, também planejadora financeira. Ela deixou o banco primeiro que ele para atuar nessa área. A paixão da mulher pela nova profissão o contagiou. Em vez de tornar-se consultor empresarial, optou pela consultoria financeira.
O planejador ressalta a questão da oportunidade que todo empreendedor deve observar. “Percebi um mercado menos disputado. Na cidade, já havia muitos consultores empresariais.”
Queiroz não pensa em parar de trabalhar. Para ele, o conceito de aposentadoria é um pouco diferente. “Aposentar é quando você deixa de precisar do dinheiro do trabalho para viver. Posso diminuir o ritmo, mas parar não paro. Sou muito feliz no que faço.”


