Negociações são ''compatíveis''
As negociações do Mercosul para uma área de livre comércio com a União Européia (UE) e para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) são perfeitamente compatíveis, declarou ontem o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, após reunir-se com o chanceler brasileiro, Celso Lafer.
As duas coisas podem ser perfeitamente compatíveis, declarou o alto representante para a Política Exterior e de Segurança Comum (PESC) da UE.
É bom que tenhamos relações entre um grande país e uma grande união como o Mercosul e um grande grupo de países europeus, adiantou Solana.
Por sua parte, o ministro brasileiro de Relações Exteriores insistiu na visão de complementariedade do Mercosul e do Brasil no terreno econômico e comercial, onde cabem as relações comerciais tanto com a UE como com o continente americano.
Como pequenos comerciantes mundiais, temos interesse em manter vínculos econômicos e comerciais com os norte-americanos, mas também com a mesma intensidade com os europeus, já que representam uma parte importante dos investimentos e exportações do Mercosul e do Brasil, estimou.
O chanceler Lafer visita pela primeira vez a capital européia, onde participou da III Conferência da ONU sobre os Países Menos Avançados (PMA).
Em Bruxelas, aproveitou para reunir-se com os comissários europeus de Relações Exteriores e de Comércio, Chris Patten e Pascal Lamy, no domingo e anteontem, e com Javier Solana ontem, além da secretária de Estado adjunta do governo belga, Annemie Niets.
Em relação à próxima rodada de negociações, amanhã, entre a UE e o Mercosul, no mês de julho em Montevidéu, onde começará a ser discutida a eliminação das barreiras tarifárias, as duas partes informaram que apresentarão propostas concretas para começar a discussão.
O chanceler brasileiro abordou com os dirigentes europeus outros temas como a necessidade de uma próxima fase de negociações comerciais multilaterais na Organização Mundial do Comércio (OMC), a adesão ao Protocolo de Kyoto sobre mudança climática, a situação na Colômbia e o impacto regional e a cúpula euro-latino-americana de Madri em 2002.
O comissário Patten enviará grupos preparatórios a vários países latino-americanos, anunciou seu porta-voz.
Lafer e Solana não falaram da febre aftosa nem das possíveis medidas de restrição das importações de carne bovina brasileira, que a UE se dispunha a adotar, devido aos focos localizados no Sul do País. (A.E.)





