Negociações salariais ficaram mais difíceis
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terça-feira, 04 de julho de 2006
Rodrigo Neppel<br> Reportagem Local 
Os impactos causados pela implantação do piso salarial estadual vão além dos sentidos pelas categorias diretamente beneficiadas pela medida: aquelas que não têm salário definido por meio de Convenções Coletivas de Trabalho. As negociações entre sindicatos patronais e de trabalhadores, para a definição de reajustes, ficaram ainda mais difíceis.
É o que acontece, por exemplo, na agricultura. Depois de quatro reuniões, o piso do setor ainda não estava definido no final de junho o valor deveria ter sido atualizado em maio. O processo acabou entrando em dissídio.
''Na minha opinião, sem a adoção do valor regional seria mais fácil fechar um acordo. Está difícil aceitar um piso salarial inferior ao estadual'', explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Londrina, Olímpio C. da Silva Neto.
O Sindicato Rural de Londrina confirma o problema. ''O Governo estadual interferiu numa relação de trabalho. A negociação das convenções coletivas está cada vez mais complicada'', afirmou o presidente da instituição, Luiz F. Kalinowski.
O presidente disse acreditar que a definição do novo piso da categoria saia nos próximos dias. Para ele existe a possibilidade do valor ficar abaixo do piso regional, numa tentativa de manter postos de trabalho abertos. ''Reconhecemos que o salário mínimo não é justo, mas não dá para assumir um aumento tão grande num ano só'', completou Kalinowski.
A situação também está indefinida no comércio. Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, José Lima do Nascimento, o salário mínimo regional causa impacto nas mesas de negociação.
De acordo com Nascimento, a definição da Convenção Coletiva deve sair no início de julho. ''O piso salarial da categoria não pode ser inferior ao definido pela nova legislação. Há uma certa resistência inicial, mas o aumento no piso vai colocar mais dinheiro no mercado e, consequentemente, aumentar o consumo.''
Já para o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região (Sincoval), além do novo salário, outro fator anda atrapalhando as negociações: a preocupação com o comércio das cidades menores.
''Quando definimos um novo piso salarial ele deve ser aplicado em toda a região. Por isso, precisamos levar em consideração os municípios que têm menor capacidade econômica'', completou o presidente da entidade Uzier de Carvalho. (R.N.)


