Negociações na OMC dependem de reforma da política da UE
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
João Baumer<br>Agência Estado 
Rio - A continuidade das negociações comerciais multilaterais no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) depende da reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia. A avaliação foi feita pelo embaixador Luiz Felipe Lampreia, no 73º Congresso Mundial de Esmagadores de Oleaginosas, no Rio. De acordo com ele, a decisão estaria nas mãos da França e da Alemanha, que pretendem adiar a reforma da PAC até 2013.
A divergência européia teria sido a causa para o não cumprimento do prazo de entrega das modalidades de negociação agrícola, encerrado no dia 31 de março, segundo o chanceler. A posição européia é mais fechada do que a dos EUA e do Japão.
A secretária do Comitê de Negociações Agrícolas da UE, Meave Doran Schiratti, que também participa do congresso, afirmou que a nova PAC da União Européia deve estar pronta em junho, permitindo o avanço das negociações multilaterais na Conferência Ministerial da OMC em Cancún, México, em setembro.
''Estamos avançando, talvez não muito velozmente aos olhos do mundo, mas avançamos. Os subsídios às exportações já caíram de 20% para 5%, e a tendência é de deslocamento dos subsídios da exportação para os pagamentos diretos para apoio à produção doméstica'', disse a secretária. As divergências da União Européia sobre a reforma da PAC, esclareceu Meave, não partem dos novos países aceitos na comunidade, mas dos tradicionais.
Para Lampreia apesar da Farm Bill de 2002, que elevou os subsídios em quase 80%, os Estados Unidos ainda demonstram disposição em negociar mercados agrícolas e barreiras comerciais, assim como o Japão. ''Os países em desenvolvimento não querem repetir o fracasso da Rodada Uruguai (que inaugurou as negociações multilaterais) e não pretendem negociar outras áreas sem acordos agrícolas'', disse.


