Negociações emperradas entre comerciários e comerciantes
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quinta-feira, 09 de julho de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A negociação entre comerciantes e comerciários para definição da nova Convenção Coletiva de Trabalho está emperrada. O último acordo expirou no dia 1º de maio (data-base da categoria), foi prorrogado até o fim de junho, mas até agora não há consenso. De um lado, comerciários pedem reajuste salarial de 15% para três faixas de trabalho e 8% de aumento para comissionados; do outro, os empresários fecharam em um índice de 7,84% (referente ao INPC entre maio de 2008 e maio de 2009) para todas as funções. A principal alegação patronal é que o reajuste traria desemprego.
Os comerciários formam uma das maiores categorias profissionais de Londrina e região. O sindicato dos trabalhadores tem atuação em 20 municípios e representa cerca de 25 mil trabalhadores, dos quais 13 mil no município. ''Já foram três rodadas de negociação. Na última o sindicato patronal havia acenado com uma proposta melhor, mas depois nos enviaram uma correspondência com uma contra-proposta menor'', disse José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio. Segundo ele, não há possibilidade de a categoria aceitar a proposta do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval).
A proposta dos comerciários é aplicar o reajuste - cerca de 15% - fixado para o salário mínimo regional. ''Não podemos receber abaixo do piso regional'', afirmou Lima. O pedido é reajustar o salário dos comissionados, por exemplo, de R$ 560 para R$ 630; trabalhadores que recebem acima do piso teriam aumento de 8%. ''Não dá para negociar porque, em muitos casos, o salário de certos cargos ficariam mais baixos do que o salário mínimo nacional e isso é proibido pela Constituição. O nosso pedido está muito aquém da proposta inicial deles (do sindicato patronal)'', alegou.
Ele ainda acrescentou que os comerciários estão com ''boa vontade'', tanto que continuam trabalhando nos dois primeiros sábados de cada mês e aceitaram propostas de horários diferenciados para datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados. Até segunda-feira, o sindicato dos comerciários enviará correspondência à entidade patronal para informar que não aceita a proposta apresentada. Procurada pela reportagem, a presidente do Sincoval, Nájila Nabhan, afirmou que o pedido de 15% é inviável. ''Estamos em uma crise e temos que pensar em todos, desde os pequenos (comerciantes) até os que estão na região, em cidades pequenas'', observou.
O momento, para a presidente do Sincoval, exige avaliações claras, ''sem ilusões''. ''Estamos oferecendo um ganho real, não adianta estourarmos nosso caixa e aumentar o desemprego porque é isso que vai acontecer'', comentou. O pedido de um reajuste de 15% (mesmo índice concedido pelo governo do Estado), segundo ela, é inviável. ''Nem o Requião (governador do Estado) deu esse aumento para os funcionários públicos, que receberam 6%. Temos que ser realistas'', salientou. Nájila acrescenta que as vendas registradas pelo comércio estão menores do que as registradas no mesmo período do ano passado. O desempenho só não foi pior devido ao frio registrado em maio e junho. ''Mas mesmo assim as vendas não foram melhores do que no ano passado'', disse.


