Negociações começaram há 3 anos
A vinda da Renault para São José dos Pinhais começou há, exatamente, três anos e três meses, quando o governo do Estado decidiu entrar na disputa pela primeira fábrica da montadora no País. Em setembro de 1995, o governador Jaime Lerner enviou um fax para o presidente mundial da Renault, Louis Schweitzer, comunicando que o Paraná tinha interesse em entrar na briga junto com São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A carta foi respondida semanas mais tarde e uma reunião foi agendada com o responsável pelo projeto da Renault no Brasil, Pierre Poupel.
Para o governo, a vinda da Renault serviria como um impulso para alavancar novos investimentos industriais. Fomos atrás de um projeto que já estava praticamente definido para outro Estado, lembrou, Lerner, ontem. Na época, elel costumava brincar que havia resgatado a bola que estava saindo pelo escanteio.
O processo de negociação com a Renault foi moroso. O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, que na época era Secretário de Indústria e Comércio, conta alguns detalhes. Fizemos de tudo, mas um dos pontos que os impressionou foi que os recebemos falando em francês.
Vinte e duas reuniões se seguiram, tanto em Curitiba quanto em Paris, até que o presidente mundial da Renault chamou o governador para comunicá-lo que havia decidido: a montadora viria mesmo para o Paraná, onde iria investir US$ 1 bilhão. Neste momento, já estava garantida a sociedade da Renault com o governo do Estado. Pelo Fundo de Desenvolvimento do Estado, seriam jogados US$ 300 milhões na Renault. É o modelo que foi adotado pela Volvo nio início dos anos 70, justifica o prefeito de Curitiba.
No dia 12 de março de 1996, Lerner e Schweitzer anunciaram a instalação da fábrica em São José dos Pinhais, colocando fim a uma disputa entre os governos estaduais, que fez com que o Paraná ficasse com a pecha de ter liderado a guerra fiscal. Iniciou-se, então, a tentativa de se descobrir o que havia de tão atrativo por trás da decisão da Renault. Somente em janeiro deste ano a história foi desvendada, quando deputados senadores de oposição conseguiram tornar público o protocolo de intenções. Em uma lista com mais de 10 benefícios, estão itens que mostram que o governo era sócio da montadora com 40% das ações e, além disto, se comprometera em financiar até US$ 1,5 milhão para a instalação da rede de concessionárias. (C.M.)





