Negociações com o Wal-Mart estão suspensas
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Foram suspensas as negociações da Prefeitura Municipal e da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) com a rede norte-americana de supermercados Wal-Mart para a instalação de uma loja na cidade. Em reunião na manhã de ontem, o presidente da Codel, Gabriel Ribeiro de Campos, reforçou a posição da prefeitura de não abrir mão da utilidade pública do terreno do antigo Colossinho, ao diretor de Expansão da rede, Ciro Schmeil. O local é considerado pela multinacional como essencial para a instalação do supermercado. Também participou da reunião a gerente de Expansão da rede, Mônica Pazotti Souza.
A disputa pelo terreno do Colossinho arrasta-se desde agosto do ano passado, quando foi decretada a utilidade pública da área de 14 mil metros quadrados na região central de Londrina, onde a prefeitura pretende construir o Teatro Municipal de Londrina. Estudos de viabilidade econômica feitos pelo Wal-Mart já estariam prontos há pelo menos um ano e a rede de supermercados faz questão do local para a instalação de uma loja. ''Não temos planos alternativos para a vinda da rede a Londrina. O Colossinho é a melhor área'', disse Schmeil.
Questionado sobre a possibilidade de a empresa deslocar seus interesses para a vizinha Maringá depois de uma provável inviabilização do projeto em Londrina, Schmeil respondeu indiretamente: ''O Brasil é grande.'' Mesmo tendo suas intenções frustradas pelo presidente da Codel, o diretor de Expansão do Wal-Mart considerou a reunião ''produtiva''. Campos destacou que a Codel já teria mostrado pelo menos outros cinco locais à empresa, mas Schmeil não demonstrou interesse em analisar outras áreas para a instalação do supermercado.
As negociações com o Wal-Mart, segundo Campos, podem ser retomadas após a volta do prefeito Nedson Micheleti (PT) a Londrina. Ele está em Brasília, acompanhado do deputado estadual Paulo Bernardo (PT). De acordo com Campos, o prefeito busca no Congresso apoio financeiro para a construção do teatro.
Mesmo com a falta de interesse de Schmeil por outras áreas, Campos ainda acredita na retomada das negociações. ''A vinda do supermercado não está vinculada ao terreno, mas sim ao potencial econômico da cidade. E se Londrina pode perder o Wal-Mart, o Wal-Mart também vai perder Londrina'', afirmou.
A procuradora dos proprietários do terreno, Sebastiana Liz, também esteve na Codel, mas não participou da reunião. Ela cobrou atitudes mais rápidas da prefeitura e disse que são grandes as possibilidades de a Taveri processar a administração municipal por eventuais prejuízos provocados pelo atraso nas negociações. ''Se é para desapropriar, que o faça logo. Mas acredito que agora a prefeitura deva explicações à população por causa dessa demora'', disse. Para iniciar o processo de desapropriação, a prefeitura ainda precisa licitar o projeto para construção do teatro. Segundo Campos, não há prazo definido para abertura da licitação.
Sebastiana disse que o Wal-Mart exerceu sua preferência de compra do terreno, pagando R$ 6 milhões pela área. A escritura, segundo Sebastiana, não foi entregue por causa da utilidade pública do terreno. ''O dinheiro está parado, não foi aplicado esperando por um desfecho e isso implica em prejuízo''.


