Negociacões com Argentina são suspensas
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Brasília 
As declarações do ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, de que o relacionamento comercial com o Brasil estava esgotado levaram o governo brasileiro a suspender novamente as negociações comerciais com o país vizinho e colocaram o Mercosul em uma nova crise.
De Madri, onde acompanha o presidente Fernando Henrique Cardoso na viagem à Europa, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, telefonou ontem para o embaixador José Botafogo Gonçalves, que estava em Buenos Aires para discutir as medidas de salvaguardas no Mercosul, e deu instruções para que ele retornasse imediatamente ao Brasil.
A decisão também foi motivada pelo impasse nas negociações que estavam sendo travadas em Buenos Aires. Embora tenha partido do governo argentino, a proposta de aplicação de medidas de salvaguardas para proteger o setor produtivo local da concorrência com as mercadorias brasileiras, que se tornaram mais competitivas depois da desvalorização do real, foi rejeitada pelos negociadores daquele país.
O Brasil, por sua vez, reiterou que aceitava a adoção das salvaguardas, mas que repudiava a proposta argentina de criação de um mecanismo automático de compensação tarifária, a ser acionado sempre que a variação do câmbio superasse determinado limite.
Conforme uma fonte do governo, Lafer foi informado em Madri das declarações de Cavallo. O ministro considerou que as afirmações colocaram ''ruídos desnecessários'' no diálogo comercial reaberto entre os dois países, depois de três meses de suspensão. O retorno de Botafogo foi o gesto mais forte encontrado por Lafer para deixar claro que está reacesa a pior crise do bloco.
Desde meados do primeiro semestre, a Argentina vem rompendo as regras do bloco por descumprir a Tarifa Externa Comum (TEC). Essas iniciativas receberam a anuência do Brasil. A hipótese de retirada definitiva do país do Mercosul, entretanto, é considerada remota.


