Quando soube que teria de pagar salário maior para manter a empregada doméstica, Lúcia (nome fictício) pensou que se veria obrigada a dispensar a auxiliar de dez anos. ''Procurei um advogado para ver quais eram os meus direitos e passei então a descontar sobre o novo valor todos os encargos que antes não descontava (o INSS e o vale-transporte).''
A medida foi tomada com o consentimento da empregada doméstica para não demitir. ''Fizemos um acordo e a minha secretária aceitou sem problemas. Ela acaba recebendo mais ou menos o mesmo que antes. Se não tivéssemos chegado a um consenso, teria de dispensá-la'', explicou.
A trama vivida por Lúcia e o desfecho da história estão dentro do padrão, de acordo com a professora universitária de Economia, Maria Eduvirge Marandola. Para ela, o impacto na economia doméstica é significativo, porém pode melhorar a distribuição de renda.
''É importante levar em consideração o aspecto positivo da medida: a camada que recebe um salário mínimo teve um aumento real. Os empregados domésticos vão custar mais caro, o que vai exigir reestruturação das contas. Mas é preciso pensar na realidade dessas pessoas com renda mais baixa'', completa.
Desemprego A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado do Paraná (Sintradom), Terezinha da Silva, afirma que mais empregadas domésticas ficaram desempregadas depois da adoção do novo piso. ''Muitas patroas têm demitido as funcionárias e contratado diaristas.''
Em Londrina, na agência Mariá, especializada em mão-de-obra para trabalhos domésticos, no mês de maio a oferta de emprego caiu 40%, em relação a abril. ''Muitos empregadores estão demitindo suas funcionárias, enquanto outros tentam negociar. Percebemos que, em alguns casos, os empregadores estão diminuindo a carga horária da empregada para pagar menos'', afirma a proprietária da agência, Mara Leal da Silva.
Mara diz acreditar que a medida adotada pelo governo vai aumentar a informalidade. ''Há 11 anos estou neste mercado e essa é a maior taxa de fechamento de vagas que já vi'', afirma ela, não informando, no entanto, quantos cargos foram fechados.
Na Agência Apoio de Empregos Domésticos houve um aumento de divergências entre patroas e empregadas domésticas. ''Sugerimos a negociação, propondo medidas como desconto do INSS e do vale-transporte. As trabalhadoras que não aceitam têm sido dispensadas, pois muitos não conseguem pagar o novo piso'', disse a proprietária da agência, Cleuza Prellvitz. (R.N.)

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