A próxima reunião entre o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, e os representantes das centrais sindicais para discutir a forma de ressarcirmento dos expurgos promovidos na correção das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelos planos Verão (janeiro de 89) e Collor 1 (março de 1990) só deverá ocorrer a partir do dia 22. A informação é do próprio Ministério do Trabalho.
As negociações deverão ser retomadas sem as propostas de entidades patronais. Até a semana passada, o ministério não havia recebido nenhuma sugestão dos empresários. As discussões, então, deverão ter por base apenas as sugestões apresentadas em dezembro pelas centais sindicais.
A CUT quer o repasse imediato para os desempregados, aposentados e para os trabalhadores que têm diferença de até 20 salários mínimos para receber (R$ 3.020); a Força Sindical, além do pagamento para os aposentados e desempregados, quer também que o repasse seja feito para quem tem direito a receber até 10 salários mínimos (R$ 1.510); e a Social Democracia Sindical SDS, para quem pode sacar até 6 salários mínimos (R$ 906).
A expectativa das centrais sindicais, no entanto, é a de que o governo apresente a sua contraproposta já no próximo encontro. ‘‘A discussão não pode prolongar-se por muito tempo’’, afirmou na semana passada Enílson Simões de Moura, o Alemão, presidente da SDS. ‘‘Se isso ocorrer, deverá haver nova avalanche de ações na Justiça por parte dos trabalhadores para tentar recuperar essas perdas.’’
Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, mesmo que o governo não apresente uma proposta definitiva na próxima reunião, a melhor opção para o trabalhador ainda é aguardar o desenlace da negociação. ‘‘Mesmo que a discussão arraste-se por mais algum tempo, o repasse tende a ser mais rápido do que o recebimento por meio de uma decisão judicial.’’

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